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Coronavírus

Coronavírus causa mais de 13 mil mortes e deixa um bilhão de confinados

Em Roma

22/03/2020 08h01

Quase um bilhão de pessoas em todo o mundo estão confinadas neste fim de semana para conter a pandemia de coronavírus, que já deixou mais de 13.000 mortos e pelo menos 300.000 infectados, enquanto se espalha para novos países, incluindo a Colômbia, que anunciou sua primeira vítima mortal.

A pandemia levou 35 países a aplicar medidas severas de contenção, que paralisam economias, transporte e vida cotidiana.

Na Itália, o país mais afetado, a situação está se agravando, com mais de 4.800 mortes, um terço do total mundial.

O primeiro-ministro Giuseppe Conte anunciou o fechamento de todas as fábricas não essenciais em uma mensagem televisionada na noite de sábado.

O país, de 60 milhões de pessoas, é atualmente o epicentro da doença, que apareceu no centro da China em dezembro e depois se espalhou para o resto do mundo.

A Itália registra um número de mortes semelhante ao da China continental e ao do Irã - o terceiro país mais afetado do mundo - juntos, e tem uma taxa de mortalidade de 8,6% entre os casos confirmados da Covid-19, significativamente mais elevada do que na maioria países.

Nos Estados Unidos, um terço da população começou a aplicar medidas de contenção mais ou menos rigorosas em cidades como Nova York, Chicago e Los Angeles. Outras partes dos Estados Unidos podem reforçar suas medidas.

"É um momento de sacrifício nacional compartilhado, mas também um momento para cuidar de nossos entes queridos", disse o presidente Donald Trump. "Vamos ter uma grande vitória", acrescentou.

Os líderes mundiais prometem fazer todo o possível para combater a pandemia, à medida que o número de mortos e infectados aumenta, especialmente na Europa.

A Espanha anunciou no sábado um aumento de 32% no número de mortos e o presidente Pedro Sánchez alertou que a população deve se preparar para "dias muito difíceis".

Na França, o número de mortos é de 562. A polícia está usando helicópteros e drones para garantir que as pessoas fiquem em casa conforme o governo decretou.

As medidas sem precedentes para conter a epidemia forçaram o cancelamento de todos os tipos de eventos esportivos e aumentam a pressão sobre as autoridades olímpicas para cancelar os Jogos de Tóquio, programados para julho e agosto.

Primeiro caso na Colômbia

Na América Latina, a Colômbia anunciou sua primeira morte por coronavírus, um taxista de 58 anos de Cartagena que havia transportado "cidadãos estrangeiros em seu veículo", disse o ministro da Saúde. Existem 210 infectados no país.

A Bolívia, por sua vez, ordenou que os cidadãos ficassem em casa a partir desde domingo e El Salvador decretou no sábado uma quarentena obrigatória por 30 dias.

No Brasil, as praias do Rio de Janeiro foram fechadas e a Guatemala anunciou a aplicação de um toque de recolher parcial para impedir o avanço do vírus, que causou 17 infecções, incluindo uma fatal.

Em outros países da região, como o México, cujas autoridades resistem a tomar medidas drásticas, muitos cidadãos decidiram se proteger por conta própria.

A pandemia de Covid-19, da qual mais de 13.000 pessoas já morreram de acordo com uma contagem da AFP de fontes oficiais, afundou as bolsas de valores mundiais e os Estados Unidos, a primeira economia do planeta, preparam um plano de ajuda que poderia chegar a um trilhão de dólares.

Em Nova York, o governador Andrew Cuomo disse que a situação pode durar meses.

"Não acho que em uma cidade desse tamanho seja possível que as pessoas mantenham a quarentena por mais de três semanas antes de começarem a perder a paciência", disse Yona Corn, 35 anos, à AFP.

A Food and Drug Administration dos EUA aprovou o primeiro teste para detectar o coronavírus que fornece o resultado em 45 minutos.

O vice-presidente Mike Pence e sua esposa tiveram resultados negativos para o coronavírus, segundo anunciou o vice-presidente no sábado, apesar de ter tido contato com funcionários de seu serviço infectados.

Fechamento na Índia

As medidas drásticas de confinamento seguem o exemplo da China, onde o fechamento da província de Hubei parece ter valido a pena.

Foi em Wuhan, capital da província, que o vírus apareceu pela primeira vez.

França, Itália, Espanha e outros países europeus ordenaram que as pessoas ficassem em casa, em alguns casos sob ameaça de multas.

A Austrália pediu aos seus cidadãos para cancelar suas viagens dentro do país.

No Reino Unido, bares, restaurantes e teatros fecharam, e as autoridades pediram aos cidadãos que não comprassem grandes quantidades de comida.

A China anunciou neste domingo seu primeiro contágio local em quatro dias. O número de casos na China continental caiu drasticamente, mas agora a Ásia teme a chegada de casos "importados" da Europa e de outras partes do mundo.

A Tailândia anunciou hoje seu maior aumento de casos em um dia, elevando o total para cerca de 600.

Na Índia, foi declarado um dia de "quarentena auto-imposta".

Embora, por enquanto, os idosos e aqueles com outras doenças sejam as principais vítimas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que os jovens também são vulneráveis.

As taxas de infecção são incertas porque muitos países não realizam testes.

Na África, onde as infraestruturas de saúde são muito limitadas e as medidas de distanciamento social são difíceis de aplicar, o coronavírus infectou mais de mil pessoas.

O Oriente Médio também está em alerta. O Irã, um dos países mais afetados, anunciou neste domingo 129 novas mortes, mas as autoridades não querem impor medidas de confinamento no momento.

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