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Israel habilita clínicas móveis de detecção de Covid-19 em zonas árabes do país

30/03/2020 19h15

Jerusalém, 30 Mar 2020 (AFP) - A equivalente israelense da Cruz Vermelha deslocou clínicas móveis de detecção do novo coronavírus em zonas árabes de Israel, a pedido de líderes políticos da oposição, que se queixaram da falta de testes nessas áreas.

A organização Magen David Adom abriu uma clínica móvel em Wadi Ara, próximo a Haifa, no conhecido "triângulo" das zonas árabes do norte de Israel. Nessa zona, menos casos de contágio foram registrados, segundo profissionais da saúde e autoridades locais.

O ministério israelense da Saúde indicou a população local que caso apresentem sintomas suspeitos devem chamar, em primeiro lugar, a Magen David Adom. Nos casos necessários, enviariam aos pacientes, por telefone, um código, que deve ser apresentado nas imediações das clínicas. Ali, sem a necessidade de sair dos carros, serão realizados testes de Covid-19 pela janela.

"Hoje estamos em Wadi Ara; amanhã, na cidade de Tamra, na região de Acre; em seguida, no deserto de Neguev e voltaremos aqui em função das necessidades da região e dos testes efetuados", declarou à AFP Wissam Zuabi, uma autoridade da Magen David Adom.

Em Israel foram confirmados mais de 4.300 casos de contágio do novo coronavírus e cerca de 15 mortes.

O baixo número de casos registrados nas áreas árabe-israelenses, que representam cerca de 20% da população, gerou suspeitas de que teriam casos ocultos, pois "foram feitos menos testes", considerou o deputado Jaber Asakla, da "Lista Unida" dos partidos árabes.

Outra explicação seria que a epidemia se propagou mais rapidamente nas grandes cidades, segundo o cientista Mohammad Darawshe, que indicou que "quase 70% dos cidadãos árabes (de Israel) vivem em povoados e em casas individuais" e não em edifícios.

"A 'Lista Unida' solicitou que fossem abertos centros de detecção nas zonas árabes. Me reuni com o ministro da Saúde (...), que aceitou abrir unidades móveis" de dectecção, declarou Ahmed Tibi, político árabe israelense.

Os árabes israelenses, descendentes dos palestinos que permaneceram em suas terras após a criação de Israel em 1948, apontam uma discriminação e são tratados como cidadãos da segunda categoria.

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