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Governo afegão e talibãs se reúnem para discutir troca de presos

01/04/2020 11h15

Cabul, 1 Abr 2020 (AFP) - Uma delegação dos talibãs se reuniu diretamente com representantes do governo afegão pela primeira vez em 18 anos para discutir uma troca de prisioneiros, uma condição prévia para negociações sobre o futuro do país - anunciaram as autoridades locais nesta quarta-feira (1).

Os dois lados, que conversaram "cara a cara" em Cabul, conseguiram "avançar nos aspectos técnicos" e "se reunirão novamente" na quinta-feira (2) para continuar as negociações, afirmou o Conselho de Segurança Nacional do Afeganistão no Twitter.

É a primeira vez que o Talibã, grupo expulso do poder pela invasão dos Estados Unidos em 2001, encontrou-se oficialmente em Cabul com representantes do governo.

Os talibãs sempre se recusaram a reconhecer o governo afegão, alegando se tratar de um "fantoche" dos Estados Unidos.

Recentemente, o governo e os insurgentes realizaram uma teleconferência sobre a libertação dos presos para evitar a propagação entre a população carcerária do novo coronavírus.

O Talibã confirmou a reunião de terça-feira em Cabul com um áudio enviado para a AFP.

Uma "equipe técnica" está na capital do país para "identificar os prisioneiros", cuja libertação é solicitada pelos talibãs, declarou seu porta-voz, Zabihullah Mujahid.

O porta-voz ressaltou que esses contatos "não fazem parte de "uma negociação, não há discussão política".

A libertação de 5.000 prisioneiros talibãs em troca de 1.000 integrantes das forças de segurança afegãs, que estão nas mãos dos insurgentes, é um dos pontos-chave do acordo assinado em 29 de fevereiro passado entre os EUA e os rebeldes. O documento não foi ratificado pelo governo afegão.

Nesse acordo, os Estados Unidos se comprometeram a retirar as forças militares estrangeiras do Afeganistão, dentro de 14 meses, desde que os talibãs cumpram os compromissos de segurança assumidos e iniciem um diálogo com o governo afegão.

O diálogo entre o Talibã e o governo foi adiado diante do impasse quanto à soltura dos prisioneiros, o que ainda não se materializou.

Enquanto isso, a violência continua no país.

Sete civis, incluindo seis crianças, foram mortos na explosão de uma mina terrestre em uma estrada na província de Helmand (sul), um reduto talibã, segundo um porta-voz da província, Omar Zwak.

E, na terça-feira, os talibãs mataram cerca de 20 policiais e agentes de forças pró-governo em dois ataques.

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