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Keir Starmer é eleito líder do Partido Trabalhista britânico

04/04/2020 14h28

Londres, 4 Abr 2020 (AFP) - O centrista e eurófilo Keir Starmer foi designado, neste sábado (4), líder do Partido Trabalhista, principal força da oposição britânica, para suceder a Jeremy Corbyn, que decidiu renunciar após sua esmagadora derrota para Boris Johnson nas legislativas de dezembro.

"É uma honra e um privilégio ser eleito líder do Partido Trabalhista. Isso chega em um momento como nenhum outro em nossas vidas", disse Starmer, de 57 anos, em seu discurso de agradecimento, ao se referir à pandemia de coronavírus.

Além de vigiar a ação do governo frente à COVID-19, o principal partido britânico de oposição deve pôr ordem em seus assuntos internos, começando por um antissemitismo muito duramente criticado por não ter sido percebido e contido a tempo.

Depois de anunciada sua indicação, Starmer pediu desculpas à comunidade judaica por esta "mancha" que prometeu erradicar.

"Arrancarei este veneno enraizado e julgarei meu sucesso em função do retorno dos membros judeus e daqueles que sentiram que não podiam mais nos apoiar", afirmou.

Desde o final de fevereiro, os cerca de 600.000 membros do partido votaram pelos correios, ou on-line, para escolher o sucessor de Corbyn, de 70 anos.

Apesar de fazer campanha com um programa muito radical de "justiça social", Corbyn sofreu em dezembro a pior derrota eleitoral de seu partido desde 1935.

Já muito antes, o partido buscava se livrar, internamente, das acusações de um antissemitismo que esse ex-sindicalista, um defensor de longa data da causa palestina, foi acusado de não frear, provocando a saída de vários deputados.

Em 2018, Corbyn reconheceu que havia um "problema real", que ele havia sido "muito lento" para impor medidas disciplinares e que "restaurar a confiança" com a comunidade judaica era a prioridade.

Isso não impediu que, antes das eleições, o gran rabino do Reino Unido e o jornal "Jewish Chronicle" lançassem um incomum apelo pelo boicote eleitoral contra ele.

- 'Capaz de unificar o partido' -As divisões são tantas que, na opinião do cientista político Steven Fielding, da Universidade de Notthingham, "o primeiro desafio (para Starmer) será formar uma equipe que pelo menos pareça capaz de unificar o partido".

De imediato, sua atenção estará voltada para a ação do governo diante da pandemia, que deixou 708 mortos no país nas últimas 24 horas, incluindo um garoto de cinco anos.

O premiê conservador Boris Johnson felicitou o novo líder da oposição e o convidou para uma reunião do Executivo sobre a COVID-19 na próxima semana.

"Neste momento de crise nacional, o papel de todos os partidos da oposição deve ser apoiar as medidas contra o coronavírus, ao mesmo tempo em que se defende os mais vulneráveis com uma avaliação adequada do governo", afirmou Ed Davey, líder interino do opositor Partido Liberaldemocrata, convidando Starmer a colaborar.

Com 56% dos votos, Staimer derrotou as duas finalistas, ambas de 40 anos: Rebecca Long-Bailey, considerada herdeira natural de Corbyn (26%), e Lisa Nandy (18%).

Advogado especializado na defesa dos direitos humanos e responsável no partido pelo Brexit, ao qual sempre se opôs, Starmer era o grande favorito desde o início da disputa.

"Nosso número de membros triplicou, duplicamos o número de deputados socialistas, e nosso partido transborda de ideias e visão de um futuro", elogiou o influente grupo de jovens corbynianos Momentum, que aderiu a Starmer.

"Ele tem o mandato de construir sobre a visão transformadora de Jeremy", completou o grupo que, nos últimos anos, chegou em massa ao partido, atraído pelas propostas de Corbyn.

acc/bl/tt