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O salto para o desconhecido dos primeiros países a 'desconfinar'

08/04/2020 09h49

Viena, 8 Abr 2020 (AFP) - Se o confinamento de milhões de europeus é um desafio sem precedentes, as modalidades de uma retomada da vida econômica e social também parecem uma operação complexa.

"Não há referência internacional sobre o assunto", observou o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, cujo país foi o primeiro da União Europeia a detalhar um cronograma para o alívio gradual das restrições.

Em regime de semicontenção, Dinamarca e Noruega também comunicaram datas de reinício. Portugal e Grécia mencionam prazos.

Em todos os casos, a retomada ocorrerá em etapas ,com a manutenção de medidas de precaução. A circulação global do vírus é um fator adicional de incerteza.

- Determinar o momento -Áustria, Noruega e Dinamarca acreditam que conseguiram "achatar" a curva de contaminação.

Na Áustria, onde mais de 12.500 casos positivos de COVID-19 foram diagnosticados, o governo anunciou seu plano de "desconfinamento", observando o declínio acentuado dos novos casos. A taxa diária está em 2% há vários dias, em comparação com 40% em meados de março.

A Noruega considerou que a epidemia, com 5.883 casos identificados, está "sob controle" em seu território. Segundo as estatísticas mais recentes, uma pessoa doente na Noruega agora infecta apenas uma média de 0,7 pessoa em comparação com 2,5 antes da imposição das restrições.

O número de mortes nesses países foi contido, e as estruturas hospitalares não foram sobrecarregadas.

A doença já deixou 243 mortos na Áustria; 187, na Dinamarca; e 69, na Noruega.

- Relaxamento gradual -Para todos esses países, está fora de questão suspender todas as restrições impostas em meados de março da noite para o dia.

Na Áustria, onde apenas supermercados e farmácias permanecem abertos, o governo quer reabrir pequenos comércios no dia 14 de abril e, depois, no início de maio, todos os demais. Hotéis e restaurantes também deverão retomar suas atividades em meados do mês que vem.

Os austríacos terão de continuar limitando seus deslocamentos ao estritamente necessário e trabalhar de casa até pelo menos o final de abril.

As escolas não reabrirão antes de 15 de maio na Áustria. Dinamarca retomará as aulas a partir de 15 de abril.

Na Noruega, as creches vão reabrir em 20 de abril. Para o ensino médio e superior, o início do ano letivo será em 27 de abril.

Os estudantes austríacos não voltarão à universidade e terminarão o ano com educação on-line.

Na Dinamarca, não foi anunciada data de reabertura de bares, restaurantes, salões de beleza, shopping centers e boates.

Nesses três países, não há como autorizar grandes encontros, ou eventos esportivos e culturais, nesta fase.

A Grécia disse esperar um "retorno à normalidade" em maio, assim como Portugal, desde que o confinamento seja escrupulosamente respeitado até lá.

- Prudência e disciplina -Nenhum desses países manifestou triunfalismo, alertando repetidamente para o risco de uma retomada da epidemia.

"Vamos viver com muitas restrições por muitos meses", alertou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, pedindo civismo, porque "um pequeno desvio individual" pode ter "um grande impacto" na sociedade.

Sua colega norueguesa, Erna Solberg, alertou que o relaxamento das restrições "não significa que alguém possa se tornar mais imprudente".

Nestes dois países, como na Áustria, enfatiza-se que as restrições voltarão no caso de segunda onda epidêmica. Sebastian Kurz alertou que o governo poderá "pisar no freio" novamente, se necessário.

Lavagem regular das mãos, respeito da distância de pelo menos um metro e lojas limitando o número de clientes: "gestos de barreira" são mais relevantes do que nunca.

Refletindo a utilidade da máscara, a Áustria tornou seu uso obrigatório em supermercados e transportes públicos, enquanto o objeto não é alvo de nenhuma recomendação na Noruega e na Dinamarca.

- Viagens e testes: as incertezas -Com os Estados-membros da UE em diferentes estágios da pandemia, as estratégias nacionais implicam uma limitação duradoura do movimento internacional.

As fronteiras da Dinamarca permanecem fechadas.

"Enquanto não houver vacinação, ou remédio eficaz, esta doença nos acompanhará e não haverá liberdade de viajar", alertou Sebastian Kurz.

A Comissão Europeia deseja evitar que o levantamento das medidas se faça "em ordem dispersa" na UE e adiou o anúncio de um roteiro para uma saída coordenada, a fim de não confundir as mensagens dos países que não desejam relaxar as restrições.

Ao contrário de Viena, ou de Copenhague, um reforço das restrições foi decretado na França. E uma autoridade italiana alertou na terça-feira: "estamos longe do fim da crise, de uma hipotética hora H que nos trará de volta à situação anterior".

Os países que relançam suas atividades terão problemas, alertam os cientistas, porque a "imunidade de grupo", que daria proteção suficiente a toda população, ainda é fraca.

"Assim que as restrições forem relaxadas, o número de infecções voltará a aumentar um pouco", alerta a virologista Elisabeth Puchhammer-Stöckl, da Universidade Médica de Viena.

"O objetivo é que ocorra de maneira controlada", com um sistema hospitalar capaz de testar e tratar casos sérios, apontou.

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