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Exército francês confirma casos de coronavírus em seu porta-aviões

10/04/2020 10h43

Paris, 10 Abr 2020 (AFP) - O Exército francês confirmou nesta sexta-feira (10) a presença de 50 casos de infecção por COVID-19 no porta-aviões Charles de Gaulle e agora trabalha para determinar a origem da contaminação.

O ministério das Forças Armadas havia anunciado na quarta-feira 40 casos suspeitos e o envio imediato de uma equipe do Serviço de Saúde das Forças Armadas (SSA) a bordo do porta-aviões, que encurtou sua missão e seguiu para Toulon (sudeste da França), onde é esperado em alguns dias.

"Os resultados dos 66 testes concluíram a presença de 50 casos de COVIF-19 a bordo do Charles de Gaulle", confirmou em comunicado nesta sexta.

"Atualmente não se observa nenhuma deterioração do estado de saúde dos marinheiros a bordo", informou.

A questão da origem da contaminação permanece desconhecida. O navio, atualmente em Portugal, não esteve em contato com nenhum elemento externo desde 15 de março.

Portanto, três semanas se passaram entre essa escala e a identificação dos primeiros casos, colocando em dúvida o período de contaminação de 14 dias geralmente mencionado pelos cientistas.

"O objetivo é identificar o circuito de contaminação e aplicar o protocolo para limitar a disseminação do vírus", acrescentou o ministério das Forças Armadas, informando que a equipe da SSA era composta por dois epidemiologistas, um especialista em biossegurança e um médico encarregado das amostras.

Este último deixou o navio na quarta-feira para analisar as amostras.

Os marinheiros evacuados foram transferidos para o Hospital de Treinamento Militar Sainte-Anne (HIA) em Toulon para "preservar as capacidades médicas" do navio, acrescentou o ministério.

Além da desinfecção dos corrimãos e maçanetas do navio, o número de reuniões e participantes foi reduzido. Uma seção da frente da embarcação, com capacidade para 127 pessoas, foi isolada para acomodar o pessoal confinado.

O porta-aviões deixou a França em 21 de janeiro e passou várias semanas no Mediterrâneo como parte da Operação Chammal, o componente francês da operação internacional no Iraque e na Síria. Estava navegando no Atlântico há algum tempo.

O ministério das Forças Armadas garantiu que a pandemia não impedirá suas missões ou de participar ativamente da luta contra a doença, que inclui evacuações médicas de pacientes e cuidadores e a abertura de um hospital de campanha equipado com 30 leitos de terapia intensiva em Mulhouse (leste).

No entanto, os números de contaminação não são detalhados nas Forças Armadas. A última estimativa data do sábado passado, quando a ministra Florence Parly mencionou cerca de 600 casos (civis e militares).

Quatro oficiais destacados no Sahel como parte da operação anti-jihadista Barkhane estão entre os casos, os primeiros a serem divulgados publicamente entre as forças no exterior. Um agente civil vinculado ao Serviço de Infraestrutura de Defesa morreu.

A pandemia de COVID-19 já atingiu o porta-aviões americano USS Theodore Roosevelt no Pacífico.

O evento causou uma grande crise. O capitão foi destituído do cargo após solicitar a evacuação imediata de sua embarcação, que foi imobilizada na ilha de Guam. O secretário da US Navy, Thomas Modly, fortemente criticado pela administração da crise, teve que renunciar.

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