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Presidente mexicano anuncia acordo com Trump para reduzir produção de petróleo

10/04/2020 18h45

México, 10 Abr 2020 (AFP) - Os presidentes do México e dos Estados Unidos confirmaram nesta sexta-feira que chegaram a um acordo para ajudar a reduzir a produção de petróleo no país latino-americano e conseguir cumprir o corte na oferta mundial decidido pelos países produtores para impedir o colapso dos preços.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse que chegou a um acordo com seu colega dos Estados Unidos, Donald Trump, para reduzir a produção de petróleo, depois de um acordo entre os principais produtores do mundo para diminuir o fornecimento.

"O presidente Trump entrou em contato conosco, conversei com ele e alcançamos um acordo para diminuir 100.000 barris (diariamente)", declarou o presidente em entrevista coletiva.

Ele acrescentou que, para compensar, "os Estados Unidos se comprometem em reduzir, além do que iria entregar, 250.000 (barris por dia)".

Horas depois, de Washington, Trump ratificou o entendimento e detalhou que isso envolverá o corte "de alguma produção nos Estados Unidos". "Nós compensaríamos a diferença, eles nos reembolsariam em uma data posterior", acrescentou.

O anúncio de acordo bilateral ocorre horas depois que os principais países produtores de petróleo concordaram, com exceção do México, em reduzir a produção mundial em 10 milhões de barris por dia em maio e junho, diante do colapso dos preços.

O grupo de membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outras nações produtoras anunciaram em comunicado que o acordo estava condicionado ao consentimento do México.

López Obrador explicou que o acordo com Trump "já é formal". "Ou seja, já cumprimos esse assunto", esclareceu.

O presidente disse que, na reunião dos países produtores de petróleo, que durou várias horas na quinta-feira, o México explicou que era muito difícil reduzir 400.000 barris por dia, conforme solicitado, devido aos problemas que teve para elevar a produção.

"Eles estavam nos pedindo uma queda como a da Arábia Saudita, como a da Rússia, da ordem de 23% da produção", afirmou. "Mantemos a nossa posição até o fim porque foi preciso muito esforço para aumentar a produção".

López Obrador ressaltou que, durante 14 anos, o México deixou cair sua produção de petróleo, pela qual culpou a reforma energética do governo anterior, que abriu o setor à iniciativa privada.

"Eles estimaram que com a reforma energética viria o investimento estrangeiro. Firmaram contratos, estimaram que produziríamos três milhões de barris por dia, e a verdade é que nós (o governo) recebemos uma produção de um milhão, 700.000 barris", afirmou.

O México teve um declínio na produção de petróleo nos últimos anos, que passou de 3,4 milhões de barris por dia em 2004 para 1,7 milhão de barris por dia hoje.

O governo López Obrador injetou cerca de 10 bilhões de dólares na estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), que considera um baluarte da soberania nacional, para aliviar suas finanças problemáticas e aumentar a produção.

Apesar de seu governo não ter cancelado a participação da iniciativa privada na indústria de petróleo, não emitiu novos contratos de exploração.

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