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Produtores de petróleo, exceto o México, concordam em reduzir oferta

10/04/2020 07h23

Riade, 10 Abr 2020 (AFP) - Os produtores de petróleo, exceto o México, concordaram em reduzir a produção mundial em 10 milhões de barris por dia em maio e junho, anunciou nesta sexta-feira (10) a OPEP, num momento em que a Arábia Saudita acolhe uma reunião de ministros da Energia do G20.

Uma declaração da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), emitida após onze longas horas de negociações por videoconferência, informa sobre o acordo de redução da oferta mundial de 10 milhões de barris por dia (mbd) nos próximos dois meses, alcançado na reunião organizada pela OPEP e pela Rússia, país que não é membro da organização.

No entanto, um obstáculo permanece: um país que não pertence ao cartel, o México, não deu sua aprovação, que é essencial para ratificar a decisão.

Em paralelo, a Arábia Saudita conduz nesta sexta-feira uma reunião virtual dos ministros da Energia do G20 e espera expandir o acordo aos países não membros da OPEP, como Estados Unidos e México.

Devido ao confinamento de metade da população mundial para limitar a pandemia de COVID-19, a forte desaceleração dos transportes e o declínio da produção industrial, a demanda por petróleo despencou, num momento em que a oferta mundial já estava em superávit.

Os mercados temiam o atrito entre Riade, líder da OPEP, e Moscou. Mas finalmente foi o México que obstruiu o processo, considerando excessivo o esforço de 400.000 mdb, em comparação com outros países, segundo a agência de informações Bloomberg.

A retirada dos 10 mdb em maio e junho, e após oito mdb de julho a dezembro, ficaria a cargo principalmente da Arábia Saudita e da Rússia, mas pelo menos outros 20 países devem participar do esforço, segundo a mesma fonte.

A ministro da Energia do México, Rocío Nahle García, tuitou que seu país sugeriu um corte de 100.000 barris.

"Estão perto de um acordo, em breve saberemos", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, depois de conversar com seu colega russo, Vladimir Putin, e com o rei Salman, da Arábia Saudita.

"Eles provavelmente anunciarão algo hoje ou amanhã", sexta-feira, afirmou.

- Círculo ampliado -Alguns meses atrás, o preço do barril estava em torno de 60 dólares, mas no início da semana passada caiu para níveis nunca vistos desde 2002. O preço está abaixo de 21 dólares atualmente.

Por esse motivo, os 13 países da OPEP e seus 10 Estados parceiros, com os quais formam a aliança OPEP+, tentam reagir.

Para organizar essa reunião extraordinária, a Arábia Saudita e a Rússia retomaram o diálogo e encerraram a guerra de preços e de participação de mercado desencadeada após a última cúpula, em 6 de março em Viena: Moscou, segundo maior produtor mundial, fechou a porta à OPEP e Riade, maior exportador, abriu suas comportas e vendeu petróleo a preços baixos para a Europa.

Mas a rápida disseminação do vírus e seu impacto vertiginoso na demanda por petróleo surpreenderam os dois países. O golpe foi particularmente duro porque a oferta mundial já estava excedente antes da pandemia.

Vários analistas duvidam, porém, que os cortes acordados farão os preços aumentarem.

"Um corte de 10 mdb em maio e junho impedirá alcançar os limites de armazenamento e os preços não cairão no abismo, mas não restaurará o equilíbrio de mercado", segundo os analistas da Rystad Energy.

Ansiosos por formar a maior coalizão possível, Riade e Moscou expandiram o círculo de participantes da reunião, convidando muitos produtores externos.

Em seu discurso introdutório, o ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, aplaudiu a presença de mais nove países, incluindo Canadá e Noruega.

Os Estados Unidos também foram convidados, mas, apesar do envolvimento de Donald Trump em favor de um acordo, seu país não pode participar diretamente das discussões em razão de suas leis antitruste.

O país, que também não é membro da OPEP+, quer uma redução na oferta para estabilizar os preços e dar ar à sua indústria de óleo de xisto, que passa por grandes dificuldades.

Uma nova reunião da OPEP está agendada para 10 de junho "para decidir mais medidas, quantas forem necessárias para equilibrar o mercado".

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