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Síria é denunciada na ONU por não cooperar em investigação sobre ataque químico

15/04/2020 17h16

Nações Unidas, Estados Unidos, 15 Abr 2020 (AFP) - Reino Unido, Estônia e Alemanha, membros do Conselho de Segurança da ONU, denunciaram nesta quarta-feira (15) a falta de cooperação da Síria, responsabilizada por um ataque químico em 2017, segundo discursos que estes países tornaram públicos ao final de uma reunião que devia ser privada.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) emitiu um informe em 8 de abril, no qual acusou o exército sírio de ter atacado em 2017 uma cidade do norte com armas químicas.

Após a reunião mensal a portas fechadas e por videoconferência do Conselho de Segurança, no qual o ataque foi debatido, o Reino Unido, membro permanente, assim como Estônia e Alemanha, renunciaram ao procedimento de confidencialidade e publicaram suas declarações.

"As autoridades sírias não responderam às perguntas sobre suas armas químicas desde que foram declaradas", disse o embaixador britânico, Jonathan Allen.

"Ao utilizar estas terríveis armas, ao manter uma capacidade em matéria de armas químicas incompatível com sua declaração de destruição completa de seu programa de armas químicas em 2014 e ao se negar a cumprir com a OPAQ, a Síria continua violando suas obrigações internacionais", disse.

O embaixador estoniano Sven Jürgenson afirmou que "o uso de armas químicas não pode ser tolerado". "Os responsáveis devem prestar contas" porque caso contrário, "as atrocidades vão continuar", afirmou o diplomata, qualificando de "lamentável" a falta de cooperação síria.

"A prestação de contas é essencial e a impunidade destes crimes atrozes não é uma opção", concordou o embaixador adjunto alemão, Jürgen Schulz.

A Rússia, que busca se destacar como o "guardião do templo", nas palavras dos diplomatas, tornou pública mais tarde a intervenção de seu embaixador.

"O programa de armas químicas da Síria foi fechado, todo o arsenal de suas armas químicas, eliminado, e sua capacidade de produção, destruída", disse Vassily Nebenzia, ao assegurar que Damasco está cooperando com as missões da OPAQ.

Segundo a OPAQ, dois aviões e um helicóptero da força aérea síria lançaram em abril de 2017 bombas de sarin e cloro sobre Latame, cidade do norte da Síria, "afetando" cem pessoas.

Em 9 de abril, a Síria rechaçou o informe, qualificando-o de "enganoso" e com "conclusões infundadas".

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