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Presidente iraniano pede cooperação ao novo Parlamento de maioria conservadora

27/05/2020 11h28

Teerã, 27 Mai 2020 (AFP) - O presidente iraniano, Hassan Rohani, pediu nesta quarta-feira aos deputados do país uma cooperação com o governo, na sessão de abertura do novo Parlamento, formado após as eleições legislativas de fevereiro, vencidas pelos conservadores, contrários a sua política.

"Espero que no ano que resta a este governo (antes das eleições presidenciais de 2021) consigamos cooperar e trabalhar juntos", declarou Rohani na tribuna do "Majlis" (assembleia em persa).

A 11ª legislatura desde a instauração da República Islâmica em 1979 começa em um contexto no qual a atividade econômica do país, muito afetado pela pandemia do novo coronavírus, retorna progressivamente à normalidade.

No Parlamento, uma cadeira vazia foi deixada entre cada deputado, mas, de modo geral, os políticos não usavam máscara.

Rohani, que não pode disputar um novo mandato em 2021, pediu aos deputados, coletiva e individualmente, que coloquem "o interesse nacional acima dos interesses particulares, dos interesses de partido ou de circunscrição".

Apesar da tensão com a oposição conservadora e ultraconservadora (agora com maioria parlamentar), o presidente, considerado moderado, defendeu a ação de seu governo desde sua primeira eleição, em 2013.

Para muitos analistas, a abstenção recorde nas eleições de fevereiro (menos de 43% de participação) traduz o desencanto da população com as promessas não cumpridas.

A assinatura, em 2015, do acordo internacional sobre a energia nuclear iraniana em Viena, aumentou as esperanças de uma recuperação econômica e de uma abertura do país ao mundo após anos de isolamento.

Mas esta perspectiva acabou rapidamente com a retirada unilateral dos Estados Unidos acordo de Viena em 2018 e o retorno das sanções econômicas, o que levou o país a uma recessão brutal, que segundo o FMI deve registrar queda de 6% do PIB.

A indiferença dos eleitores, poucas semanas depois do desastre (176 mortos) do avião ucraniano derrubado em 8 de janeiro em Teerã - que provocou uma grande crise de confiança a respeito do governo - , e o veto de milhares de candidatos reformistas resultaram em um Parlamento dominado pelos conservadores.

Agora a pergunta é saber que tipo de cooperação será possível entre o Executivo e o novo Parlamento.

A eleição, no sábado, do presidente do Parlamento, apresentará uma ideia do equilíbrio de forças entre conservadores, muitos favoráveis ao prosseguimento do acordo de Viena, e que poderiam alcançar um entendimento com o governo em determinados assuntos, e ultraconservadores, opositores veementes de Rohani.

A disputa tem quatro candidatos: Mohamad Bagher Ghalibaf, conservador, ex-prefeito de Teerã, Hamid-Reza Hajibabai e Shamsedin Hoseini, ministros do ex-presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad (2005-2013), e Mostafa Mir-Salim, candidato à presidência em 2017, partidário de uma linha dura contra a "invasão cultural" ocidental.

A imprensa local afirma que o resultado da votação é incerto.

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