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Eleições gerais na Bolívia serão em 6 de setembro

Jeanine Áñez assumiu a presidência da Bolívia provisoriamente, mas depois decidiu se candidatar - David Mercado
Jeanine Áñez assumiu a presidência da Bolívia provisoriamente, mas depois decidiu se candidatar Imagem: David Mercado

Da AFP, em La Paz

02/06/2020 22h33

Inicialmente programadas para 3 de maio e adiadas por causa do coronavírus, as eleições gerais na Bolívia ocorrerão em 6 de setembro — anunciou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Salvador Romero, hoje, depois de um acordo entre os partidos.

O TSE enviará ao Parlamento um projeto de lei que "prevê a realização da eleição geral até 6 de setembro, domingo", relatou Romero.

"Uma vez publicada a lei, o órgão eleitoral fixará esse dia como data da eleição geral 2020, por meio de uma resolução", completou o presidente do TSE.

O teor do projeto foi acordado pelos partidos em reuniões reservadas, segundo fontes políticas.

A Bolívia deveria ter celebrado eleições em 3 de maio, mas devido ao novo coronavírus, o pleito foi adiado para antes de 2 de agosto. No entanto, a persistência da pandemia e os pedidos para não sacrificar a saúde dos bolivianos impulsionaram um novo acordo.

Romero disse que o TSE trabalhará para gerar as condições de biossegurança durante as eleições. A pandemia contagiou mais de 10.500 pessoas e matou 343 no país de 11 milhões de habitantes.

"Não ignoramos, nem subestimamos as complexas condições de realizar os trabalhos no terreno", disse o funcionário perante os principais candidatos à Presidência.

Depois, acrescentou que o TSE "levou em conta os efeitos do coronavírus" para a preparação das eleições.

Protestos contra Áñez

A Bolívia retornará às eleições após os comícios de 20 de outubro do ano passado, anulados após os violentos protestos da oposição, que denunciou uma fraude a favor do então presidente Evo Morales.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) assegurou em um relatório que houve irregularidades na votação.

Morales renunciou em 10 de novembro depois de quase 14 anos no poder e partiu para o México, onde recebeu asilo político. Mas um mês depois, mudou-se para a Argentina como refugiado, de onde comanda seu partido, o Movimento para o Socialismo (MAS).

A convulsão social de outubro e novembro de 2019 deixou mais de 30 mortos, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Depois de renunciar, a senadora de direita Jeanine Áñez assumiu a presidência da Bolívia provisoriamente, mas depois acabou decidindo que será candidata nas próximas eleições.

O governo de Áñez é alvo de protestos de camponeses e indígenas ligados ao ex-presidente aimara, críticas às quais também se somaram o ex-presidente Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho, impulsionador dos protestos que levaram à demissão de Morales.

Repúdio de Camacho

Após o anúncio do TSE, o economista Luis Arce, afilhado político de Morales e líder nas pesquisas, disse que se deve "dar a certeza aos bolivianos de que este ano haverá eleições" com medidas ante o coronavírus.

Além de Arce, alguns candidatos se pronunciaram a favor de uma nova data para as eleições, com exceção de Camacho, quarto nas intenções de voto, que afirmou no Twitter que o TSE "mente", pois seu partido "não é parte deste acordo" e defendeu celebrar eleições "quando a saúde e a vida estiverem seguras".

No entanto, o MAS tem o controle das duas Câmaras do Congresso, razão pela qual é chave para dar seu aval à nova lei.

Enquanto isso, o centrista Mesa considerou necessário "terminar" com o governo transitório para dar lugar a uma nova gestão, mas pediu a adoção de medidas de segurança pela pandemia.

O partido Juntos, de Áñez, vai "acatar a data que o Tribunal Eleitoral definir", disse o líder Edwin Herrera, embora tenha exigido ao "zelar pela saúde da população".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, recebeu com "beneplácito" o anúncio e pediu aos partidos e às autoridades que cooperem plenamente com o TSE "na celebração de eleições pacíficas, transparentes e inclusivas".

Guterres declarou, ainda, em um comunicado, que a ONU, a União Europeia e alguns países vão continuar dando assistência técnica ao TSE, "inclusive sobre as medidas de mitigação que permitam que as eleições se celebrem nas melhores condições sanitárias possíveis".

Uma consulta realizada em março situa Arce com 33,3% das intenções de voto, seguido de Mesa (18,3%) e Áñez (16,9%).

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