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Espanha vota prorrogação de estado de emergência pela última vez

País registrou mais de 27 mil mortes por coronavírus até o momento, mas pico da curva já passou - Getty Images
País registrou mais de 27 mil mortes por coronavírus até o momento, mas pico da curva já passou Imagem: Getty Images

03/06/2020 12h57

O Congresso espanhol vota hoje a última prorrogação do estado de emergência para combater a pandemia, solicitada pelo governo Pedro Sánchez, que pediu à oposição que não caia no "veneno do ódio".

Em vigor desde meados de março, o estado de emergência permitiu ao Executivo de esquerda restringir severamente a mobilidade para interromper a expansão do novo coronavírus.

Até o momento, o país registra mais de 27.000 mortos.

Embora a pandemia esteja em remissão, com cerca de 30 mortes na última semana, o governo considera fundamental poder controlar o fim do desconfinamento por fases e regiões. A expectativa é que a medida chegue ao fim entre os últimos dias de junho e início de julho.

Até lá, as restrições à mobilidade inter-regional devem ser suspensas, e os turistas estrangeiros poderão voltar a entrar no país.

Em um amargo debate parlamentar, Sánchez garantiu o apoio da Câmara, mas enfrentou uma forte oposição da direita, muito crítica à sua gestão da crise da saúde e à redução das liberdades causada pelo estado de emergência.

"Não foi capaz de salvar vidas, nem defendeu a economia. Deixou milhares de pessoas para trás", criticou o líder do Partido Popular, o conservador Pablo Casado.

Já o líder do partido de extrema direita Vox, Santiago Abascal, atribuiu à "negligência criminosa" do Executivo a morte de "dezenas de milhares de espanhóis".

Ambos os partidos aumentaram a pressão sobre o governo, agora em minoria e precisando estabelecer múltiplas alianças para conseguir levar adiante as extensões do estado de emergência, assim como as medidas para combater os problemas econômicos derivados da pandemia.

Diante de um cenário cada vez mais polarizado, Sánchez pediu que se contenha o confronto, dando como exemplo a situação desencadeada nos Estados Unidos pela morte do afroamericano George Floyd.

"Estamos vendo isso em alguns lugares, senhoras e senhores, principalmente nos Estados Unidos, e não queremos ver isso na Espanha (...) O veneno do ódio é o veneno mais prejudicial", disse o líder socialista.

Essa prorrogação deve ser a última do estado de emergência decretado em 14 de março, então com o objetivo de aplicar um rígido confinamento. Em maio, o país iniciou o processo de desescalada por etapas.

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