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Venezuela flexibiliza quarentena em meio a grandes filas nos postos de gasolina

03/06/2020 19h42

Caracas, 3 Jun 2020 (AFP) - Bancos e lojas reabriram esta semana na Venezuela, em uma flexibilização da quarentena em vigor desde meados de março, coincidindo com filas quilométricas nos postos de gasolina.

Responsável por uma sapataria na zona comercial central de Caracas, Rubén Castillo se sente aliviado com a reabertura da loja. Ele sabe que "o coronavírus não é brincadeira", mas está com os bolsos vazios. "Era necessário trabalhar, estávamos há dois meses e meio parados e dependemos do que fazemos aqui", diz Castillo, 37, pai de uma menina de 2.

Um cartaz na porta do local anuncia ofertas especiais, para tentar atrair clientes. "Poupança? Quem pode poupar na Venezuela?", questiona, irônico, ao se referir à grave crise sócioeconômica no país. A maior parte de sua renda vem das comissões pelas vendas.

O governo de Nicolás Maduro colocou em prática na última segunda-feira o que chama de "5x10". O plano do governo consiste em alternar cinco dias de retomada das atividades em vários setores - com medidas de precaução, como o uso de máscaras - com 10 dias de quarentena.

O anúncio permite a retomada parcial das atividades de bancos, do setor da construção, indústrias têxteis e de calçado, matérias-primas e químicas, lojas de ferragens, vendas de equipamentos eletrônicos, oficinas de autopeças e salões de beleza, entre outros.

Frente à escassez aguda de combustível, o presidente socialista aumentou para 50 centavos de dólar o preço do litro da gasolina, em um país onde a mesma era praticamente gratuita, embora mantenha uma tarifa subsidiada em bolívares equivalente a 2,5 centavos de dólar, válida apenas com limites de consumo e registro prévio. O aumento também começou a vigorar anteontem.

- Combustível, uma questão difícil -Centenas de veículos faziam fila na manhã desta quarta-feira em postos de gasolina de Caracas. "Não posso pagar isso", reclamava Jermain Arias, técnico de smartphones, ao ser consultado sobre o preço dolarizado da gasolina. Ele esperava encher o tanque de sua motocicleta pagando a tarifa subsidiada.

"A questão da gasolina é um pouco difícil, achávamos que tudo havia melhorado (com a chegada à Venezuela de navios do Irã com combustível nos últimos dias) e, agora, fui abastecer e há filas novamente", lamentou, ao chegar à loja de telefonia celular que abriu em Sabana Grande com medidas especiais de segurança. As vitrines estão cobertas com plástico e os funcionários usam máscara e luvas.

O novo coronavírus chegou à Venezuela no momento em que o país sofre com a inflação, uma recessão que caminha para o sétimo ano consecutivo e o colapso de serviços básicos, como água e energia.

- Odisseia -Em um salão de beleza próximo, Michel Vielma está feliz por voltar a trabalhar. Ele não tem carro, mas a falta de gasolina tem impacto nos transportes e chegar ao local de trabalho com a frota de ônibus reduzida não é simples.

As autoridades mantêm restrições na entrada do metrô de Caracas, cujo serviço está restrito desde março aos trabalhadores dos setores essenciais.

Yuleidy Rusa, 22, vive em El Junquito, nos arredores da capital. A oferta reduzida de transporte faz com que um trajeto de 50 minutos se converta em um de três horas. "É uma odisseia", diz a esteticista, que optou por atender com horário marcado, três vezes por semana.

A Venezuela registrava 1.819 casos confirmados de Covid-19 até ontem, cifra questionada por organizações como a Human Rights Watch.

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