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Coronavírus ameaça 70.000 empregos na aviação no Reino Unido

9.mai.2020 - Aeroporto de Heathrow, em Londres, durante pandemia do novo coronavírus - Kirsty O"Connor / PA Images via Getty Images
9.mai.2020 - Aeroporto de Heathrow, em Londres, durante pandemia do novo coronavírus Imagem: Kirsty O'Connor / PA Images via Getty Images

em Londres (Inglaterra)

10/06/2020 10h20

Cerca de 70.000 empregos no setor aéreo britânico estão sob ameaça nos próximos dois a três meses, como resultado da pandemia do novo coronavírus, uma reestruturação comparável à das minas de carvão na década de 1980 - aponta um estudo divulgado hoje.

As companhias aéreas poderão destruir cerca de 39.000 empregos diretos no trimestre atual, e outros 30.000 indiretos estão em risco na cadeia de abastecimento, alerta o estudo da New Economics Foundation (NEF), feito em colaboração com a confederação sindical TUC, sindicatos setoriais e grupo ecologista Possible.

A pandemia levou muitos países a fecharem suas fronteiras e a imporem medidas de confinamento, provocando um colapso do transporte aéreo e bilhões de dólares em perdas para as companhias do setor.

Este estudo considera improvável que o emprego na aviação "volte em algum momento aos níveis anteriores à crise da saúde", em parte devido à crescente automação de muitas funções nesse setor e à redução dos serviços de atendimento ao cliente.

Em 2014, sete anos após a crise financeira anterior, o número de passageiros havia voltado aos níveis precedentes à crise. Já o emprego no setor caiu 17%, embora tenha aumentado desde então, graças ao crescimento do tráfego aéreo.

Até o momento, a British Airways anunciou 12.000 demissões por causa do coronavírus. Ryanair e Virgin Atlantic preveem um corte de 3.000 vagas, e a easyJet, de 4.500, enquanto o fabricante de motores de aeronaves Rolls-Royce planeja reduzir sua força de trabalho em cerca de 9.000 funcionários.

Nesse contexto, o estudo considera mais úteis as ajudas à conversão do que a concessão de novos empréstimos de recursos públicos às companhias aéreas, que "se somariam a um fundo comum de 7 bilhões de libras anuais em reduções de impostos concedidas pelo ministro das Finanças às companhias aéreas e a seus ricos acionistas, na forma de isenções de IVA e dos impostos sobre combustíveis".

O documento lembra que, recentemente, a British Airways recebeu um empréstimo do governo de 300 milhões de libras, e a easyJet, de 600 milhões de libras. Além disso, nos últimos cinco anos, os acionistas do IAG, grupo proprietário da British Airways e da Iberia, entre outras companhias aéreas, "recebeu mais de 3,4 bilhões de libras em dividendos e recompra de ações".

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