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Japão avalia fechamento de velhas centrais de carvão

03/07/2020 09h16

Tóquio, 3 Jul 2020 (AFP) - O governo japonês se comprometeu, nesta sexta-feira (3),a estudar medidas concretas para reduzir sua dependência energética do carvão até 2030.

O ministro da Economia, Comércio e Indústria, Hiroshi Kajiyama, disse hoje que pediu aos órgãos da pasta que elaborem propostas para "parar as centrais de carvão ineficazes e fazer das energias renováveis uma importante fonte de eletricidade".

Entre as opções em análise, está o endurecimento das normas, o que levaria a fechar até 2030 as usinas de carvão mais antigas, acrescentou.

O ministro não quis, porém, dar um objetivo concreto.

Ontem, o jornal "Yomiuri Shimbun" informou que, até 2030, o governo pretende fechar 100 das 114 usinas de carvão do país construídas no início dos anos 1990 - as mais poluentes.

No total, há 140 centrais de carvão ativas no arquipélago, que geram em torno de um terço da eletricidade do país. Cerca de dez estão em projeto de construção.

As 26 usinas de carvão mais modernas produzem pelo menos metade da energia elétrica do território obtida desse mineral, importado principalmente da Austrália.

Embora menos poluentes do que as mais antigas, essas usinas emitem "mais do que o dobro" de CO2 do que as usinas de ciclo combinado de gás, explica à AFP o especialista em questões ambientais Yukari Takamura, da Universidade de Tóquio.

- Críticas reiteradas -O carvão é a segunda maior fonte de produção de eletricidade no Japão, depois do gás natural liquefeito (GNL), que gera 38% de sua eletricidade.

As energias renováveis representam 17% do atual conjunto energético japonês, e a energia nuclear, 9%.

A dependência do país em relação às energias fósseis disparou após o desastre nuclear de Fukushima em 2011, que significou a interrupção provisória de todo parque nuclear para revisar as normas de segurança.

A terceira maior potência econômica do mundo costuma ser criticada por não fazer o suficiente para reduzir suas emissões de CO2 na luta contra a mudança climática.

Em 2015, o Japão se comprometeu a reduzir em 26% suas emissões de gases causadores do efeito até 2030, em comparação com 2013.

O país espera que a energia verde atinja de 22% a 24% de seu cálculo geral em 2030. Também planeja aumentar, de forma significativa, a participação nuclear, para em torno de 20% a 22%, em comparação com 25% antes do desastre de Fukushima.

As metas do governo em matéria de energia verde para 2030 "deveriam ser mais ambiciosas", segundo Takamura, que acredita que seria possível chegar a 30% em dez anos.

Tóquio também é frequentemente criticada no exterior por apoiar projetos de usinas a carvão no sudeste da Ásia.

Kajiyama disse nesta sexta que as negociações em torno de possíveis regras mais rígidas sobre essas polêmicas ajudas "entraram em sua fase final".

"Esta política continua" por enquanto, sobretudo, por meio do Japan Bank for International Cooperation (Banco Japonês para Coooperação Internacional), instituição que promove as exportações japonesas, lembrou Takamura.

etb-mis/uh/etr/es/af/tt