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Supremo tribunal da Venezuela suspende direção do partido político de Guaidó

07/07/2020 14h55

Caracas, 7 Jul 2020 (AFP) - O tribunal máximo da Venezuela, de linha oficialista, suspendeu nesta terça-feira (7) a diretiva do partido político do líder da oposição Juan Guaidó, Vontade Popular, e entregou o controle desta organização a um rival.

Uma decisão da Câmara Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) "decretou uma medida cautelar de tutela constitucional que consiste em suspender a atual Direção Nacional da organização para fins políticos Vontade Popular", indica um comunicado do tribunal, que nomeou uma "junta diretiva ad hoc" liderada por um adversário de Guaidó, chefe parlamentar reconhecido como presidente da Venezuela por cinquenta países.

Já em 15 e 16 de junho, o TSJ tomou medidas semelhantes contra outros dois grandes partidos da oposição, a Acción Democrática (social-democrata) e a Primero Justicia (centro).

Este é o caminho para as eleições convocadas para o próximo dia 6 de dezembro para renovar o Parlamento, o único poder controlado pela oposição na Venezuela, que será boicotado pelos principais partidos que se opõem ao governo socialista de Nicolás Maduro.

Classificando o TSJ como "braço judicial da ditadura de Maduro", o gabinete de Guaidó rejeitou no Twitter "uma decisão frustrante" e acusou o chavismo de tentar "se apoderar do cartão, logos e símbolos do Voluntad Popular" para "simular uma falsa oposição para sua próxima armadilha eleitoral".

A diretiva ad hoc, de acordo com a decisão judicial, "poderá usar o cartão eleitoral, o logotipo, símbolos, emblemas, cores e qualquer outro conceito típico da Vontade Popular".

Guaidó reivindicou a presidência interina da Venezuela em janeiro de 2019 com o apoio dos Estados Unidos, depois que a maioria da câmera da oposição declarou Maduro "usurpador" acusando-o de ter sido reeleito fraudulentamente.

Noriega é aliado de Luis Parra, um legislador que rompeu com Guaidó depois de ser acusado de corrupção ligada a um programa alimentar do governo de Maduro e se proclamou presidente do congresso em janeiro passado, com o apoio do Chavismo, em paralelo à reeleição do líder da oposição.

Onze partidos políticos da oposição, incluindo Voluntad Popular, Acción Democrática e Primero Justicia, anunciaram um boicote às legislativas, chamando-as de "farsa".

Isso aconteceu em reação à designação de uma nova diretiva do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pelo TSJ, que declarou uma "omissão" do Parlamento na sua atribuição às autoridades eleitorais eleitas.

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