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Polícia de Hong Kong prende magnata pró-democracia Jimmy Lai e ativista

10/08/2020 17h20

Hong Kong, 10 Ago 2020 (AFP) - O magnata da imprensa em Hong Kong e a destacada ativista pró-democracia Agnes Chow foram presos nesta segunda-feira sob a polêmica lei de segurança, mais um passo na crescente influência de Pequim na ex-colônia britânica.

O septuagenário magnata foi preso por suspeita de conluio com forças estrangeiras, um dos crimes previstos na nova lei que entrou em vigor no final de junho, além de fraude.

A China elogiou a prisão.

"Esses agitadores antichineses em concertação com forças estrangeiras colocaram seriamente em perigo a segurança nacional (...) Jimmy Lai é um de seus representantes", disse em um comunicado o escritório chinês responsável pelo monitoramento da situação em Hong Kong e Macau.

O chefe de polícia Li Kwaiwah disse que os detidos são acusados de defender sanções estrangeiras.

Agnes Chow foi presa sob a mesma lei, segundo fonte policial.

"Agora está confirmado que Agnes Chow foi presa sob a acusação de 'incitamento à secessão' sob a lei de segurança nacional", lê-se na página de Facebook da ativista.

Segundo fonte policial, dez pessoas foram presas nesta segunda-feira. Entre elas encontram-se dois dos filhos de Lai, e Wilson Li, que afirma ser um cinegrafista freelance trabalhando para o canal de televisão britânico ITV News.

Considerada por muitos uma resposta de Pequim aos meses de manifestações pró-democracia que sacudiram o território semiautônomo em 2019, a lei de segurança nacional concede às autoridades novos poderes para reprimir quatro tipos de delitos contra a segurança do Estado: subversão, separatismo, terrorismo e conluio com forças estrangeira.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, disse na segunda-feira estar "profundamente preocupado" com as prisões e alertou que Pequim "dilacerou" os direitos em Hong Kong.

"Estou profundamente preocupado com os relatos da prisão de Jimmy Lai sob a draconiana Lei de Segurança Nacional de Hong Kong", disse Pompeo no Twitter.

A prisão desta segunda-feira é "mais uma prova de que o PCC (Partido Comunista Chinês) dilacerou as liberdades de Hong Kong e corroeu os direitos de seu povo", complementou o secretário de Estado de Donald Trump.

A UE denunciou o uso desta lei para "sufocar a liberdade de expressão". A missão chinesa em Bruxelas reagiu por meio de declaração, acusando a UE de "interferir abertamente nos assuntos internos de Hong Kong e da China".

O senador americano de origem cubana, o republicano Marco Rubio, reagiu à sua inclusão na lista de sanções Pequim junto com dez outros altos funcionários do país norte-americano.

"No mês passado, a China me colocou na lista negra. Hoje me sancionaram ", tuitou, acrescentando que "Jimmy Lai e seu filho foram acusados de 'conluio com potências estrangeiras'".

- "Inimaginável há um mês" -Jimmy Lai é dono de duas publicações abertamente pró-democracia e críticas ao governo de Pequim, o jornal Apple Daily e a revista Next Magazine.

No fim da manhã desta segunda-feira, quase 200 policiais compareceram à sede do grupo de comunicação em uma área industrial do bairro Lohas Park.

Jornalistas do Apple Daily transmitiram ao vivo no Facebook as imagens da operação, que mostram o chefe de redação da publicação, Law Wai-kwong, solicitando aos policiais o mandato de busca.

"Diga a seus colegas que não toquem em nada antes que nossos advogados verifiquem o mandato", advertiu Law.

Os policiais ordenaram aos jornalistas que entrassem em uma fila para um controle de identidade, enquanto outros agentes percorriam a redação. Lai foi levado ao local algemado.

Chris Yeung, presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong, chamou a operação de "impactante e aterrorizante". "Isto não tem precedentes e era inimaginável há um ou dois meses", disse à AFP.

Law enviou uma mensagem aos jornalistas do grupo, na qual pede aos profissionais que permaneçam em seus postos de trabalho para permitir a publicação da próxima edição do jornal, apesar da operação policial e das detenções.

Chris Patten, último governador britânico de Hong Kong, acusou as autoridades de conduzir "a operação mais escandalosa possível sobre o que resta da imprensa livre em Hong Kong".

A ação da Next Digital fechou em queda de mais de 180% na Bolsa de Hong Kong, no menor nível desde junho de 2019, enquanto os simpatizantes de Lai iniciaram uma campanha on-line de apoio à empresa.

Poucas pessoas do território provocam tanto mal-estar em Pequim quanto Lai, que é chamado de "traidor" pela imprensa estatal chinesa, que o acusa de ter instigado os protestos de 2019.

As acusações de conluio com uma potência estrangeira aumentaram no ano passado, quando Lai se reuniu com o secretário de Estado americano Mike Pompeo e com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

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