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Quatro detidos em novo confronto na zona mapuche no Chile

11/08/2020 19h53

Santiago, 11 Ago 2020 (AFP) - Um novo confronto entre manifestantes e a polícia nesta terça-feira (11) terminou com quatro detidos no Chile, onde os protestos persistem em apoio aos mapuches e à greve de fome de uma liderança indígena que já dura 100 dias.

Cerca de 200 manifestantes se reuniram na cidade de Cañete, localizada na região de Biobío, e iniciaram uma marcha que ultrapassou as cercas colocadas pela Polícia para impedir seu avanço. O ato iniciou os distúrbios nos quais quatro pessoas foram presas, informou a polícia.

Os manifestantes atiraram pedras e outros objetos de um canteiro de obras na Plaza de Cañete contra a tropa de choque, que reagiu com gás lacrimogêneo e jatos d'água, segundo imagens divulgadas pela mídia local.

As ruas também foram bloqueadas enquanto, na noite de segunda-feira, uma fazenda foi incendiada por um grupo não identificado.

Distúrbios e bloqueios de estradas também foram registrados na região de La Araucanía, local de manifestações e ataques incendiários nos últimos dias em apoio à restituição de terras que os mapuche consideram suas por direito ancestral e também ao guia espiritual Celestino Córdova.

Córdova, condenado a 18 anos de prisão pelo homicídio de um casal de idosos em 2013, pretende cumprir a pena em casa, para renovar o seu "rewe", ou energia espiritual.

O líder indígena faz uma greve de fome que já chegou a 100 dias e colocou em risco sua vida. "Nossa principal preocupação neste caso é salvar vidas e conversar com quem for possível, para que dentro de tudo o que está estabelecido no regulamento prisional, possamos encontrar o caminho para que essa greve de fome seja deposta", declarou Víctor Pérez, Ministro do Interior, no Palácio do governo de La Moneda, em Santiago.

O Supremo Tribunal Federal está analisando uma petição apresentada por Córdova para cumprir pena em casa por seis meses ou até que termine a emergência pela pandemia do coronavírus no Chile.

Em meio aos tumultos, os mapuches sofreram ataques racistas que agravaram um conflito de décadas entre o povo indígena e o Estado chileno.

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