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Conselho de Segurança da ONU rejeita extensão de embargo de armas contra o Irã

14/08/2020 21h46

Washington, 15 Ago 2020 (AFP) - O Conselho de Segurança da ONU rejeitou nesta sexta-feira (14) uma resolução dos Estados Unidos para estender o embargo sobre a venda de armas ao Irã que vence em outubro, anunciou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que chamou a decisão de um fracasso "indesculpável".

O projeto de Washington foi aprovado apenas por dois países, anunciou a Indonésia, atual presidente do Conselho. Rússia e China votaram contra e os outros onze membros restantes se abstiveram, incluindo França, Reino Unido e Alemanha, aliados europeus dos americanos.

Se o texto tivesse obtido nove votos favoráveis, Pequim e Moscou o teriam vetado, o que acabou não sendo necessário.

"Os Estados Unidos nunca abandonarão nossos amigos na região que esperavam mais do Conselho de Segurança. Continuaremos trabalhando para garantir que o regime teocrático terrorista não fique livre para comprar e vender armas que ameaçam o coração da Europa, do Oriente Médio e além", declarou em comunicado.

De acordo com Pompeo, o Conselho de Segurança, que tem como membros permanentes as grandes potências do mundo (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França), "fracassou hoje no cumprimento de sua missão fundamental", isto é, "manter a paz e a segurança internacionais".

O Conselho de Segurança "rejeitou uma resolução sensata para prolongar um embargo sobre as armas no Irã imposto há 13 anos e abriu o caminho para que o principal Estado que apoia o terrorismo no mundo possa comprar e vendar armas convencionais sem restrições da ONU, pela primeira vez em mais de uma década", lamentou o secretário de Estado americano.

Para Pompeo, a decisão da ONU é contrária ao desejo de diversos países árabes e de Israel.

- Chamada Trump-Macron -O voto desta sexta-feira poderia iniciar um longo embate diplomático com repercussões para o acordo internacional de 2015, assinado para impedir que Teerã adquirisse armas nucleares.

O embargo sobre as armas expira em 18 de outubro e os Estados Unidos, apesar de terem se retirado do acordo nuclear iraniano em 2018, que consideravam insuficiente, ameaçam agora apelar para seu status de país "participante" no texto para impor unilateralmente o restabelecimento das sanções da ONU contra Teerã, suspensas em troca de compromissos do país persa em relação a seu programa nuclear.

Pompeo não reiterou a ameaça no comunicado divulgado nesta sexta-feira.

Os críticos da proposta americana suspeitam que a administração Trump tenta mostrar força internacional antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para novembro, quando o mandatário tentará a reeleição. Vários países, embora favoráveis à extensão do embargo, se negam a jogar o jogo americano.

O fim do embargo "poderia ter graves consequências para a segurança e estabilidade da região", admitiu Anne Gueguen, representante adjunta da França na ONU.

"Contudo, a França absteve-se sobre o projeto de resolução proposto porque não constitui uma resposta adequada", completou.

De acordo com a Casa Branca, o presidente Donald Trump e o presidente francês Emmanuel Macron conversaram por telefone nesta sexta-feira "sobre a urgente necessidade de uma ação da ONU para estender o embargo de armas no Irã".

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