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Yoshihide Suga eleito oficialmente primeiro-ministro do Japão pelo Parlamento

16/09/2020 09h55

Tóquio, 16 Set 2020 (AFP) - Yoshihide Suga, de 71 anos, novo líder do Partido Liberal Democrata (PLD), que governa o Japão, foi eleito nesta quarta-feira (16) primeiro-ministro pelo Parlamento, em substituição a Shinzo Abe, que renunciou por motivos de saúde.

Quarenta e oito horas depois de sua eleição triunfal como líder do PLD, Suga recebeu 314 votos de um total 462 sufrágios válidos na câmara baixa do Parlamento, onde o PLD e seu aliado de coalizão, o partido Komeito, têm uma ampla maioria.

Suga fez uma reverência após os aplausos dos deputados, mas não discursou publicamente até agora.

Posteriormente, a câmara alta do Parlamento também aprovou a eleição de Suga, que era secretário-geral e porta-voz do governo desde o retorno ao poder de Shinzo Abe no fim de 2012.

Pouco depois, seu sucessor no cargo de secretário-geral e porta-voz do governo, Katsunobu Kato, que era ministro da Saúde até esta quarta-feira, anunciou a composição do novo governo que, como era esperado, não gerou surpresa.

Vários ministros mantêm as pastas, como o veterano Taro Aso (Finanças), Toshimitsu Motegi (Relações Exteriores) e Shinjiro Koizumi (Meio Ambiente).

Nobuo Kishi, irmão de Shinzo Abe, mas que utiliza o sobrenome do avô materno, que foi primeiro-ministro do Japão no fim dos anos 1950, entra no governo como ministro da Defesa, em substituição a Taro Kono, que assume o ministério da Reforma Administrativa.

Filho de um agricultor, com uma trajetória atípica, assessorou fielmente Abe durante muitos anos, coordenando a política entre os ministérios e as várias agências do Estado.

Ele conhece todos os cantos da poderosa burocracia japonesa, mas não tem o status internacional de Shinzo Abe.

O primeiro-ministro demissionário, de 65 anos, bateu recordes de longevidade no cargo, mas no fim de agosto anunciou que deixaria o cargo devido a uma doença do intestino, que já havia sido uma das causas de sua curta primeira passagem como chefe de Governo (2006-2007).

- Estabilidade -Suga se comprometeu a seguir a política do antecessor. Desta maneira, ele prometeu uma certa estabilidade aos caciques do PLD, que deram forte apoio a seu nome na eleição interna do partido na segunda-feira.

O governo de Suga terá que lidar com a crise do coronavírus, a recessão econômica, a delicada questão da organização ou não dos Jogos Olímpicos de Tóquio - adiados para 2021 - e as repercussões das tensões internacionais, sobretudo entre Washington e Pequim.

"Na frente diplomática há muitas incógnitas, sobretudo as eleições americanas", opinou Shinichi Nishikawa, professor de Ciências Políticas na Universidade Meiji de Tóquio.

Suga é considerado um líder mais pragmático que dogmático. Analistas acreditam que ele dará continuidade à política econômica de Shinzo Abe, caracterizada por uma política monetária ultraflexível e estímulos fiscais em larga escala, além da aceleração de reformas estruturais.

"A liberação do mercado de trabalho não avançou no governo de Abe (...) Suga poderia ter mais sucesso na reforma deste antigo sistema administrativo, estimulando o recurso da imigração e os aumentos salariais", afirma consultoria Capital Economics.

Alguns nomes importantes do PLD se mostraram favoráveis à convocação de eleições legislativas antecipadas, com o objetivo de consolidar a legitimidade de Suga e prolongar a duração de seu mandato além do prazo inicialmente previsto para Abe, no outono (hemisfério norte, primavera no Brasil) de 2021.

Até o momento, porém, Suga considera que as eleições não são uma prioridade, alegando que a convocação poderia ser complicada, pois a pandemia de coronavírus não está controlada.

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