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Azerbaijão e Armênia trocam acusações de violação da trégua em Nagorno Karabakh

18/10/2020 17h34

Stepanakert, Azerbaijão, 18 Out 2020 (AFP) - O Azerbaijão e a Armênia se culpavam mutuamente, neste domingo (18), pela violação de uma nova "trégua humanitária" que entrou em vigor à meia-noite, em Nagorno Karabakh, uma semana depois de um primeiro cessar-fogo que nunca foi respeitado.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão disse que as forças armênias "violaram [a trégua] de forma grosseira", denunciando o fogo de artilharia inimiga e os ataques na linha de frente.

Um pouco antes, a porta-voz do Ministério da Defesa da Armênia, Shushan Stepanian, informou a ocorrência de disparos de artilharia e lançamento de foguetes azerbaijanos para o norte e o sul da frente de batalha durante três horas, após o início do cessar-fogo.

O Exército de Nagorno Karabakh também relatou um ataque pela manhã no sul, com "perdas e feridos de ambos os lados".

"Mas as infraestruturas civis e as casas não foram alvo dos disparos", disseram os serviços de socorro de Nagorno-Karabakh.

Baku assumiu a responsabilidade neste domingo pela destruição de um caça-bombardeiros armênio, o que foi imediatamente negado por Erevan.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu à Armênia e ao Azerbaijão que respeitem a trégua humanitária e condenou os ataques ocorridos.

"A trágica perda de vidas civis, incluindo crianças, do último atentado relatado (...) na cidade de Ganya é totalmente inaceitável, assim como os ataques gerais à qualquer área povoada", declarou um comunicado do porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.

"O secretário-geral observa o último anúncio sobre o início da trégua humanitária em 18 de outubro e espera que ambas as partes respeitem plenamente o compromisso e retomem as negociações substanciais sem demora", acrescentou.

No sábado à noite, os Ministérios das Relações Exteriores da Armênia e do Azerbaijão anunciaram um acordo para "uma trégua humanitária, começando em 18 de outubro, à 0h local" (17h de sábado em Brasília).

Em Stepanakert, a capital separatista, a noite foi muito tranquila, segundo um jornalista da AFP no local, assim como a manhã.

A maioria dos moradores deixou a localidade, fugindo dos bombardeios, desde que os combates foram retomados em 27 de setembro.

Explosões foram ouvidas em Stepanakert, a capital separatista, após um dia de domingo mais calmo.

Um drone que sobrevoou a cidade por cerca de 30 minutos foi abatido pela defesa antiaérea.

Do lado do Azerbaijão, também houve relativa calma na cidade de Terter, perto da linha de frente, pois os bombardeios cessaram após 12h30.

Em seguida, eles recomeçaram a partir do meio-dia por duas horas, "mas não tão fortes" como nos últimos dias, diz Elchad Rezayev, um morador de 35 anos.

"Não sei se o cessar-fogo vai durar e não me importo. Eles mataram nossas mulheres e crianças", disse.

- Escalada -Desde que os combates recomeçaram, há três semanas, centenas de pessoas morreram.

Os separatistas admitem que tiveram que recuar, mas dizem "controlar a situação".

Oficialmente, eles perderam cerca de 700 homens e metade dos 140 mil habitantes do território foram deslocados.

Neste domingo, eles anunciaram a morte de 37 novos soldados em seu lado. Pela manhã, anunciaram a morte de mais 40 soldados.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) registrou 134 mortes entre as facções Proturk que lutam em Karabakh, de um total de pelo menos 2.050 soldados destacados.

O Azerbaijão não publicou nenhum dado sobre vítimas militares, materiais ou humanas.

Essa nova trégua acontece depois que o ministro russo das Relações Exteriores conversou por telefone no sábado com seus colegas da Armênia e do Azerbaijão.

A comunidade internacional teme uma internacionalização do conflito, com o apoio da Turquia ao Azerbaijão. A Armênia, que dá suporte financeiro e material aos separatistas, tem uma aliança militar com a Rússia.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, lamentou neste domingo a violação da trégua e condenou os ataques.

"A UE lamenta que, infelizmente, continuem as violações, já que se informou sobre combates em Nagorno Karabakh e seus arredores. Isso causa mais sofrimento aos civis", declarou Borrell em um comunicado.

"A UE condena firmemente todos estes ataques, independentemente de sua origem", frisou.

O diplomata espanhol disse ter-se reunido hoje com os ministros das Relações Exteriores de Armênia e Azerbaijão "para lhes fazer compreender que o cessar-fogo deve ser incondicional e estritamente respeitado por ambas as partes".

"Também destaquei que os ataques contra civis devem cessar imediatamente. Não há justificativa", insistiu.

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