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Casais separados por Trump desejam sua derrota

19/10/2020 16h36

Washington, 19 Out 2020 (AFP) - Pamela e Afshin Raghebi celebrarão 10 anos de casamento em dezembro. As eleições de 3 de novembro nos Estados Unidos serão decisivas para o futuro do casal, separado desde 2018 pela política de imigração do presidente Donald Trump.

"Preciso dele em casa", diz emocionada a americana, cujo marido iraniano está barrado no exterior por causa de um decreto presidencial que proíbe a entrada em território norte-americano de cidadãos de vários países, principalmente muçulmanos.

A lei, apelidada de "muslim ban" (banimento de muçulmanos) por seus detratores, foi adotada logo após a chegada à Casa Branca de Trump, que durante sua campanha havia dito "o Islã nos odeia".

Na ausência de números oficiais, o think tank Cato Institute estimou há um ano que cerca de 15 mil famílias foram separadas por esse dispositivo aprovado pela Suprema Corte após meses de batalha judicial.

Entre os que sofrem com seus efeitos está Pamela Raghebi, que sente falta do marido que conheceu em 2010 em uma casa de repouso para idosos de Seattle, onde ela trabalhava na recepção e o iraniano fazia um trabalho como vidraceiro.

"Impressionada"

"De imediato fiquei impressionada com sua gentileza com os residentes" idosos, conta. Após um primeiro contato e alguns encontros, os dois se casaram, abriram sua própria vidraçaria e construíram uma vida feliz.

Em 2016, eles iniciaram os procedimentos para Afshin obter os documentos legais de residência permanente.

O iraniano deixou seu país quando tinha 20 anos para viajar para a Suécia antes de entrar ilegalmente nos EUA em 2006. Para regularizar sua situação, ele tinha que deixar os EUA e retornar com uma autorização legal.

Por isso, em 2018, Afshin viajou à Turquia para o que era para ser uma breve estadia. Ele continua lá.

"É como se meu país tivesse me obrigado a me divorciar", lamenta Pamela, que tem dificuldades para superar o ocorrido, tanto do ponto de vista emocional como financeiro.

"Milagre"

Ramez Alghazzouli, de 31 anos, e sua esposa Asmaa Khadem Al Arbaiin, 28, também foram impactados por essa política.

O casal sírio, que se conheceu na Universidade de Damasco, foi separado pela primeira vez por uma guerra civil. Ele logo se estabeleceu no Arizona como funcionário público, enquanto ela viajou para a Turquia para reencontrar sua família.

Após retomar o contato à distância, eles se casaram por procuração em 2015 e começaram a montar um dossiê para que ela pudesse ir morar com ele nos Estados Unidos.

No entanto, quando ela foi à embaixada dos EUA em 2018 para solicitar o visto, um funcionário explicou que ela não poderia, por causa do decreto presidencial.

Ramez moveu céus e terras. Advogados, funcionários da alfândega, FBI e até CIA: bateu em todas as portas, sem sucesso. Foi então que decidiu apelar para a mídia.

O esforço acabou dando frutos e, em outubro de 2019, a jovem recebeu a permissão que tanto buscava: "Foi uma espécie de milagre, depois de tanto lutar", comenta o homem. No mês passado, o casal teve seu primeiro filho, que chamaram de Radwan.

Casamentos desfeitos

O candidato democrata à eleição presidencial, Joe Biden, prometeu que, se eleito, suprimiria o decreto que levou a essas situações, mas para muita gente será tarde demais.

"Há relacionamentos que foram rompidos, casamentos que se desfizeram e pessoas que tinham apoio para entrar nos Estados Unidos e os perderam", destaca David Bier, analista do Cato Institute.

Maioria na Câmara de Representantes, os democratas aprovaram um projeto de lei, o "No Ban Act" (lei de não banimento), com o objetivo de limitar no futuro a possibilidade de um presidente bloquear a entrada de certos migrantes. O texto, porém, foi barrado no Senado, controlado pelos republicanos.

Pamela Raghebi, que tem na família apoiadores de Trump, gostaria de lembrar aos conservadores que os Estados Unidos é um país de imigrantes.

Enquanto isso, espera que eles percam a eleição de 3 de novembro. "Votem", diz. "Precisamos de um novo governo".

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