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Deputados americanos pedem ao governo que boicote G20 em Riade

Jo Yong hak
Imagem: Jo Yong hak

AFP

22/10/2020 00h09

Quarenta e cinco deputados norte-americanos apelaram ao governo de seu país, em carta publicada nesta quarta-feira (20), para que os Estados Unidos boicotem o G20 de Riade, a ser realizado no final de novembro, caso as autoridades sauditas continuarem a violar os direitos humanos.

A carta dos representantes do Congresso dos Estados Unidos, enviada ao Secretário de Estado, Mike Pompeo, foi publicada poucos dias depois de 65 eurodeputados também pedirem à União Europeia que desistisse de participar, pelos mesmos motivos, da cúpula virtual organizada pela Arábia Saudita em 21 e 22 de novembro.

"Como líder mundial da democracia e promotor dos direitos humanos, nosso governo teria de exigir mudanças espetaculares no infeliz histórico da Arábia Saudita em termos de violações" dos direitos humanos, garantiram os deputados norte-americanos em sua carta.

"Se o governo saudita não tomar medidas imediatas para corrigir esse equilíbrio, teremos que nos retirar da cúpula do G20 e nos comprometer a fazer das reformas dos direitos humanos uma condição para qualquer colaboração futura com o governo saudita", acrescentaram.

Riade e Washington não comentaram o pedido apresentado pelos 45 representantes do Congresso americano.

O governo do presidente Donald Trump é um aliado fundamental do príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman, que na verdade detém as rédeas da monarquia do Golfo.

Riade deu início a uma conferência virtual de dois dias nesta quarta-feira, antes da cúpula, para promover os direitos das mulheres e a igualdade de gênero.

"A presidência saudita do G20 deu particular atenção ao debate sobre as políticas que afetam as mulheres" e o reino "se comprometeu com reformas excepcionais para valorizar as mulheres", declarou o rei Salman em discurso proferido por um ministro nesta conferência.

Mas a iniciativa recebeu críticas de associações de defesa dos direitos humanos, que lembraram das detenções na Arábia Saudita de vários militantes, incluindo Loujain al Hathloul.

"Enquanto mulheres valentes são submetidas à tortura por atividades pacíficas, o governo saudita tenta se mostrar no cenário internacional como uma potência reformadora", lamentou a organização Human Rights Watch.

A Arábia Saudita, o primeiro país árabe a organizar um G20, intensificou sua repressão aos dissidentes do regime wahabita após a ascensão de Mohamed bin Salman em 2017 como príncipe herdeiro.

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