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Morales pede renúncia de secretário-geral da OEA: 'Mãos manchadas de sangue'

Em entrevista coletiva, Morales disse que denunciará Luis Almagro e Manuel González à CPI (Corte Penal Internacional) - Edgard Garrido/Reuters
Em entrevista coletiva, Morales disse que denunciará Luis Almagro e Manuel González à CPI (Corte Penal Internacional) Imagem: Edgard Garrido/Reuters

Em Buenos Aires (Argentina)

22/10/2020 16h42

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales pediu hoje a renúncia de Luis Almagro da secretaria-geral da OEA (Organização dos Estado Americanos) após defender que o triunfo eleitoral do MAS (Movimento ao Socialismo) no último domingo (18) demonstrou que não houve fraude nas eleições de 2019.

"Luis Almagro deve renunciar, se tem ética e moral, se tem personalidade. E obviamente tem que ser processado, julgado. Suas mãos estão manchadas de sangue de bolivianos e bolivianas", declarou Morales em uma entrevista coletiva em Buenos Aires, Argentina, onde está exilado desde dezembro do ano passado.

No caso da renúncia de Almagro, Morales disse que pedirá aos membros da Organização de Estados Americanos "que iniciem os trâmites para sua destituição, porque tem ocasionado um dano irreparável ao povo boliviano, às missões de observação eleitoral e à própria OEA".

"Os resultados das recentes eleições confirmam mais uma vez que [em 2019] não houve fraude e, sim, que houve um golpe de Estado", disse o ex-presidente, exigindo, ainda, "uma auditoria independente sobre aquele relatório fraudulento".

Morales antecipou que denunciará Almagro e o encarregado da missão eleitoral de 2019, o ex-chanceler da Costa Rica, Manuel González, à CPI (Corte Penal Internacional) por terem respaldado o relatório "que derivou em massivas violações dos direitos humanos e crimes contra a humanidade" na Bolívia.

Luis Arce e David Choquehuanca, que integraram a chapa para presidente e vice do MAS, venceram no domingo, ainda no primeiro turno, as eleições presidenciais da Bolívia com supervisão da OEA e da União Europeia com 54% dos votos.

Em 2019, as eleições foram anuladas após uma auditoria da OEA que estabeleceu uma "manipulação dolosa" em favor do então presidente Morales (2006-2019), que buscava um polêmico quarto mandato consecutivo.

Morales terminou renunciando em meio aos violentos protestos e por pressão do Exército e, após a sua saída do governo, se exilou no México e, por fim, na Argentina.

"O relatório da OEA, que sustentou a engrenagem do golpe de Estado, não demonstrava que havia existido fraude alguma", declarou o ex-presidente boliviano.

Morales citou um relatório do Celag (Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica) divulgado ontem (21) que comparou as eleições de 2019 e 2020 em 86 zonas eleitorais onde a OEA havia denunciado supostas irregularidades e garantiram que os resultados foram semelhantes.

"O Celag demonstra o comportamento criminoso de Luis Almagro que contribuiu para sufocar a livre soberania do povo boliviano", disse.

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