PUBLICIDADE
Topo

Partido no poder e oposição clamam vitória nas legislativas da Geórgia

31/10/2020 16h15

Tiblíssi, 31 Out 2020 (AFP) - O partido do governo na Geórgia e uma frente unida da oposição reivindicaram cada um por seu lado a vitória nas eleições legislativas, celebradas neste sábado (31), e as pesquisas de boca-de-urna também indicavam resultados contraditórios.

O líder do Sonho Georgiano (no poder), o milionário Bidzina Ivanishvili, assegurou que seu partido "venceu as eleições pela terceira vez consecutiva", enquanto o opositor Mikheil Saakashvili, um ex-presidente exilado, disse que "os partidos da oposição conseguiram uma grande vitória".

Estas declarações contraditórias foram acompanhadas de pesquisas no mesmo sentido: segundo a emissora pró-governo Imedi TV, o Sonho Georgiano venceria com 55% dos votos, mas outra pesquisa com uma emissora ligada à oposição, a Mtavari TV, informou que a coalizão opositora venceria com 52%.

Por causa de complexas regras eleitorais, os resultados oficiais podem levar semanas para serem conhecidos.

"Os partidos da oposição devem formar agora um governo de união nacional", assegurou Saakashvili em discurso transmitido pela televisão da Ucrânia, onde é conselheiro político e econômico do presidente.

Ivanishvili, de 64 anos, foi primeiro-ministro no passado e é o homem mais rico desta antiga república soviética, enquanto Saakashvili, de 52 anos, teve uma carreira política rocambolesca na Ucrânia nos últimos anos.

Saakashvili conseguiu este ano reunir as forças da oposição georgiana e formar o Movimento Nacional Unido (UNM).

A Geórgia, com quatro milhões de habitantes, é um exemplo de democracia entre as ex-repúblicas da URSS, mas tem uma história turbulenta.

Na quinta-feira, dezenas de milhares de simpatizantes de Saakashvili se reuniram na praça principal de Tiblisi, a capital.

"Nossa vitória se aproxima. A Geórgia acordou e está pronta para escolher a liberdade ao invés da opressão", disse à multidão o opositor e ex-presidente, falando por videoconferência.

Mikheil Saakashvili foi obrigado a se exilar em 2013 após seu segundo mandato por medo de ser detido por acusações de abuso de poder. Considera voltar e ser nomeado primeiro-ministro, caso vença nas legislativas.

Em oito anos no poder, a popularidade do Sonho Georgiano foi se desgastando, em um contexto de dificuldades econômicas e acusações de que socava a democracia. Os críticos acusam Bidzina Ivanishvili de ter exercido pressão sobre seus adversários e favorecido a corrupção.

"Um oligarca que possui 40% da riqueza do país se apropriou dele e o dirige como um feudo", denuncia Saakashvili, entrevistado pela AFP.

Segundo estimativas, a oposição tem uma pequena vantagem nas intenções de voto, mas o Sonho Georgiano pode mobilizar seus "recursos financeiros e administrativos" para derrotá-la, avalia o especialista Gia Nodia.

im/rco/pop/erl-jz/eg/mvv