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Biden anuncia o retorno dos EUA ao cenário mundial e apresenta gabinete

Biden anuncia o retorno dos EUA ao cenário mundial e apresenta gabinete -                                 JOE RAEDLE/GETTY IMAGES VIA AFP
Biden anuncia o retorno dos EUA ao cenário mundial e apresenta gabinete Imagem: JOE RAEDLE/GETTY IMAGES VIA AFP

24/11/2020 19h00

Wilmington, Estados Unidos, 24 Nov 2020 (AFP) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou o retorno do país ao cenário mundial, ao apresentar hoje seu futuro gabinete no início de uma transição bloqueada até agora pelo presidente Donald Trump, que ainda não admite a derrota.

"É uma equipe que reflete o fato de os Estados Unidos estarem de volta. Prontos para liderar o mundo e não se afastar dele", disse Biden, apresentando seus escolhidos em evento em Wilmington, Delaware, onde os participantes usavam máscaras.

O grupo inclui veteranos do governo Barack Obama, do qual Biden foi vice-presidente, mas é mais diversificado e marca um retorno à diplomacia americana tradicional, revertendo a postura "América em primeiro lugar" de Trump.

O processo formal para a posse de Biden em 20 de janeiro só recebeu luz verde na segunda-feira, quando mais de duas semanas depois de ser declarado o perdedor, Trump autorizou a Administração de Serviços Gerais (GSA) a fazer "o que for preciso" ativando os protocolos de transferência de poder.

A GSA acabava de enviar uma carta informando Biden que, em uma decisão "independente", o considerava o aparente vencedor, abrindo caminho para a transferência. Isso aconteceu depois que o Michigan certificou a vitória de Biden e a lista de republicanos com pedidos de avanço no processo engrossou.

A decisão do GSA libera fundos para a equipe de Biden se preparar e permite que os governos que entra e sai coordenem tópicos importantes, como a campanha de vacinação contra a covid-19, que já deixa 258.000 mortos nos Estados Unidos.

Novo revés para Trump

Os esforços de Trump para anular os resultados da eleição de 3 de novembro sofreram um novo revés nesta terça-feira, quando a Pensilvânia, outro estado importante, também confirmou Biden como o vencedor.

Trump, que fez poucas aparições públicas desde sua derrota eleitoral, falou brevemente na sala de imprensa da Casa Branca.

Sem se referir às eleições, ele saudou o novo recorde da Bolsa de Valores de Nova York, onde pela primeira vez Dow Jones ultrapassou 30 mil pontos, assim como os avanços para a vacina contra a covid-19.

"Só quero parabenizar todas as pessoas do governo que trabalharam tanto. E o mais importante, quero parabenizar o povo do nosso país, porque não há gente como vocês", disse ele.

Apesar de não ter apresentado nenhuma prova credível da fraude que denuncia e de ter sofrido derrotas humilhantes no tribunal, Trump continua a insistir que ainda vai vencer.

Na terça-feira, ele retuitou uma foto sua no Salão Oval com a legenda: "Não concedo NADA !!!!!"

No entanto, questionar a certificação de resultados do estado, um processo geralmente rotineiro, parece não estar valendo a pena para Trump, e Biden está a caminho de ser declarado o 46º presidente dos Estados Unidos em 14 de dezembro, na reunião do Colégio Eleitoral que constitucionalmente determina o vencedor.

Biden, que ganhou quase 80 milhões de votos contra os quase 74 milhões de Trump, tem 306 votos eleitorais contra 232 para o republicano.

"Não é suficiente"

Os seis homens e mulheres que compõem a liderança que vai dirigir a diplomacia e a segurança nacional afirmaram que representam a volta do multilateralismo, da cooperação global e do combate conjunto às mudanças climáticas.

"Como disse o presidente eleito, não podemos resolver os problemas do mundo sozinhos. Precisamos trabalhar com outros países, precisamos da cooperação deles. Precisamos de parcerias", disse Antony Blinken, designado secretário de Estado.

O ex-secretário de Estado John Kerry, que foi nomeado por Biden como representante especial dos Estados Unidos para o clima, confirmou que seu país retornará ao Acordo de Paris assinado em 2015, do qual Trump se retirou.

Mas Kerry disse que o retorno "não é suficiente" para combater o aquecimento global e exortou todos os países a "aumentarem suas ambições na conferência de Glasgow no ano que vem".

Em um primeiro momento, Biden optou pelo primeiro latino e imigrante, o cubano Alejandro Mayorkas, para chefiar o Departamento de Segurança Interna (DHS), polêmico durante o governo Trump por impor sua linha dura contra a imigração.

"Meu pai e minha mãe me trouxeram para este país para escapar do comunismo. Eles apreciaram nossa democracia e ficaram muito orgulhosos de se tornarem cidadãos dos Estados Unidos. Assim como eu", disse ele.

Linda Thomas-Greenfield foi eleita embaixadora da ONU, enquanto Jake Sullivan, que aconselhou Biden na era Obama, foi nomeado conselheiro de segurança nacional.

Biden nomeou pela primeira vez uma mulher, Avril Haines, como diretora de Inteligência Nacional.

Janet Yellen, a primeira mulher a presidir o Federal Reserve (Fed, banco central), deve fazer história novamente como a primeira mulher secretária do Tesouro.

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