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Wilton Gregory, o primeiro cardeal americano negro prestes a fazer história

O arcebispo de Washington, Wilton Gregory, primeiro negro na posição - Reuters
O arcebispo de Washington, Wilton Gregory, primeiro negro na posição Imagem: Reuters

27/11/2020 10h27

O arcebispo de Washington, Wilton Gregory, está prestes a fazer história: no sábado (28), ele se tornará o primeiro cardeal negro americano. Até lá, encadeia as entrevistas como uma estrela de Hollywood.

O prelado de 72 anos, que está atualmente em quarentena em Roma, não parece nervoso às vésperas da grande cerimônia, enquanto fala em videoconferência sobre a "importante escolha" que o papa Francisco fez ao mostrar "seu apoio à comunidade afro-americana".

"Sou apenas uma pessoa, mas, neste momento, sou um indivíduo simbólico", disse à AFP este homem de Chicago, com um grande sorriso.

Recorda, porém, que o padre Augustus Tolton, nascido no Missouri de pais escravos no século 19 e o primeiro padre afro-americano (ordenado em Roma porque foi rejeitado pelos seminários de seu país), poderia ser beatificado.

Em junho, o primeiro arcebispo negro de Washington não hesitou em criticar a tentativa do presidente dos Estados Unidos de "intimidar" a multidão por meio da religião. Donald Trump acabava de posar com uma Bíblia nas mãos em frente a uma igreja próxima à Casa Branca, um dia após a brutal dispersão de manifestantes antirracistas.

O prelado também é conhecido por defender a "tolerância zero" contra os abusos sexuais no clero, especialmente quando foi presidente da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos no início dos anos 2000.

Neste contexto de escândalos que atingem a Igreja, a Santa Sé acaba de divulgar um relatório devastador sobre o influente ex-cardeal Theodore McCarrick, ex-arcebispo de Washington expulso do sacerdócio em 2019, após ser condenado por abuso sexual de menores e adultos.

"Um relatório triste, mas importante para o futuro", tendo em vista a revisão do processo de seleção dos bispos, afirma Wilton Gregory.

Outrora chamados de "príncipes da Igreja", no sábado, serão 13 novos cardeais escolhidos pelo papa Francisco.

Reflexo da "diversidade da Igreja"

Em quase oito anos de pontificado, o papa argentino de 83 anos selecionou a maioria dos "cardeais eleitores" (que escolherão seu sucessor) entre os prelados muitas vezes de acordo com suas ideias e com menos de 80 anos.

"O Santo Padre se esforçou para incluir no colégio cardinalício diferentes raças, línguas e culturas", felicita Dom Gregory.

"Ele nomeou cardeais em países que nunca tiveram. Claramente deseja um colégio de cardeais que reflita a grande diversidade da Igreja", acrescentou.

Conforme estabelecido, os novos cardeais se ajoelharão em frente ao papa no sábado para receber seu barrete e anel cardeal na suntuosa Basílica de São Pedro.

Devido ao coronavírus, a audiência será reduzida na cerimônia. A pandemia também impediu que dois prelados asiáticos fizessem a viagem.

Monsenhor Gregory viajou para Roma com um assistente, sem família, ou amigos, "apenas feliz por participar com o papa Francisco em um consistório que será incomum".

O futuro cardeal também tem a imagem de um homem moderado e de diálogo, em uma Igreja Católica norte-americana muito dividida entre progressistas e ultraconservadores, muitas vezes hostis ao papa.

"Isso deve mudar. As divisões que aparecem tão duramente na espera pública não correspondem à nossa vocação na Igreja", concluiu o arcebispo.

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