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Enfermeira acusa governo venezuelano de usar pandemia 'como arma de repressão'

Enfermeira acusa governo venezuelano de usar pandemia "como arma de repressão" - Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Enfermeira acusa governo venezuelano de usar pandemia 'como arma de repressão' Imagem: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

15/01/2021 15h31

Miami, 15 Jan 2021 (AFP) - O governo venezuelano "está tratando a pandemia como arma de repressão", acusou nesta sexta-feira(15) a presidente da Associação de Enfermeiros de Caracas em um seminário online, onde afirmou que o sistema de saúde está em colapso, não há vacinas nem testes suficientes.

Além das condições de trabalho "indecentes" e salários baixos, a presidente da Associação das Enfermeiros de Caracas, Ana Contreras, denunciou uma "perseguição" aos dirigentes do setor que passam informações sobre a situação sanitária.

"Na Venezuela não temos certeza da quantidade de infectados diretamente porque não há transparência, porque a pandemia está sendo tratada como uma arma de repressão", disse Contreras em um seminário online do Conselho das Américas.

A conversa contou com a presença do líder opositor Juan Guaidó, considerado presidente interino pelos Estados Unidos e cinquenta países que rejeitam a legitimidade do governo de Nicolás Maduro e do embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, James Story.

Contreras acrescentou que 309 profissionais de saúde morreram de covid-19 na Venezuela porque não há suprimentos e "os protocolos estabelecidos por lei pela Organização Mundial da Saúde não são seguidos".

"Hoje vemos que não há vacinas (contra covid-19) e há uma dívida com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) pelas vacinas tradicionais", explicou.

"Testes PCR também não são feitos e temos um número muito alto de profissionais de saúde infectados com a covid-19. (...) Não sabemos quantos de nós somos portadores assintomáticos do vírus".

Ela parabenizou uma iniciativa de Guaidó, chamada "Héroes de la Salud", que visa indenizar financeiramente 65.000 trabalhadores de saúde.

"Isso evitou, por um momento, a migração de trabalhadores", disse a enfermeira, porque "hoje vemos como os nossos hospitais estão sendo abandonados".

Os profissionais de saúde buscam outras oportunidades de trabalho e isso leva ao fechamento de unidades clínicas, afirmou a dirigente sindical.

"Temos mais de 80% dos nossos hospitais sem água, não temos abastecimento. Nosso equipamento de radiologia não funciona. Aqui a saúde é teoricamente gratuita, mas adoecer neste país neste momento é uma odisseia", acusou.

Guaidó ratificou que a meta da oposição para 2021 é "recuperar a democracia", conseguir "eleições livres" e enfrentar a crise humanitária que causou o êxodo de 5,4 milhões de pessoas, segundo a ONU.

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