PUBLICIDADE
Topo

Eleições Americanas

Conteúdo publicado há
1 mês

Washington reforça segurança por risco de violência antes da posse de Biden

21 mil soldados da Guarda Nacional estão espalhados por Washington - Joshua Roberts/Reuters
21 mil soldados da Guarda Nacional estão espalhados por Washington Imagem: Joshua Roberts/Reuters

Em Washington (EUA)

15/01/2021 14h58

Com 21 mil soldados da Guarda Nacional a serem enviados e com bairros inteiros entrincheirados, Washington se encontra sob forte vigilância ante as ameaças de novas manifestações de seguidores de Donald Trump, às vésperas da cerimônia de posse do presidente eleito, Joe Biden, em 20 de janeiro.

"Estamos preocupados com os riscos de violência nas inúmeras manifestações previstas para os próximos dias em Washington e em frente a prédios do governo nos estados", que podem atrair indivíduos armados, explicou o diretor do FBI (a Polícia Federal americana), Christopher Wray, ontem.

Durante uma reunião com o vice-presidente em final de mandato, o republicano Mike Pence, Wray mencionou "uma quantidade significativa de discussões preocupantes na Internet".

"Atualmente, vigiamos as convocações para manifestações armadas e ações até a posse", afirmou, explicando que, destas, é necessário avaliar quais são as ameaças graves.

A polícia e o Exército estão sendo muito criticados por sua falta de preparo para a manifestação dos seguidores do presidente Donald Trump, em 6 de janeiro passado. Centenas invadiram o Capitólio, espalhando o caos no coração da democracia da América.

Pelo menos cinco pessoas, incluindo um policial, morreram nos distúrbios.

A invasão levou a um pedido de impeachment de Trump julgado na quarta-feira, no Congresso, sob a acusação de "incitação à insurreição". Os dez representantes (deputados) republicanos que votaram a favor do pedido de "impeachment" estão recebendo proteção reforçada desde então.

"Os colegas agora se deslocam com escoltas armadas", disse um deles, Peter Meijer, à emissora MSNBC na quinta-feira (14).

"Achamos que há pessoas que podem tentar nos matar", acrescentou.

Segundo um recente relatório interno do FBI, citado pela imprensa americana, um "grupo armado identificado" se prepara para "invadir" edifícios do governo em todos os 50 estados dos EUA e na capital nos próximos dias até a posse do presidente democrata.

O FBI menciona especialmente o movimento de extrema-direita Boogaloo, que defende a guerra civil para derrubar o governo, e cita ameaças confiáveis nos estados de Michigan e Minnesota.

Vários estados tomaram medidas de precaução, mobilizando um número extra de agentes para proteger as sedes de governo.

Na capital federal, Washington, D.C., 21.000 guardas nacionais serão mobilizados para a posse. Isso significa mais soldados do que no Iraque e no Afeganistão juntos, declarou ontem o general Daniel Hokanson, chefe do escritório da Guarda Nacional do Pentágono.

"Não venham"

A missão dos reservistas está limitada, porém, a um apoio logístico à polícia e eles estarão autorizados a efetuar prisões apenas como "último recurso", segundo o Departamento da Defesa - ainda que estes soldados estejam armados.

Trump também confirmou, na quarta-feira (13), que foi informado de "ameaças potenciais" em relação às manifestações "nos próximos dias, em Washington e no país".

O presidente republicano pediu calma a seus seguidores, destacando o direito dos americanos de se manifestarem pacificamente.

"Peço que não haja violência, que não cometam crimes e que não haja vandalismo", afirmou na quarta-feira.

Tanto em Washington quanto nos estados vizinhos de Maryland e Virgínia, as autoridades fazem todo o possível para dissuadir a população de comparecer à posse, que acontecerá nas escadas do Congresso.

Na quinta-feira, as ruas do centro da cidade eram vigiadas pela polícia e protegidas por portões, eventualmente reforçados com arame farpado (como ao redor do Capitólio), e por blocos de concreto.

A circulação de automóveis e o transporte público também serão afetados pelo dispositivo de segurança.

As autoridades também estão considerando fechar ao público o vasto gramado do National Mall, onde milhares de visitantes costumam se aglomerar para testemunhar a posse ao vivo.

A oferta de hospedagem será limitada, devido ao provável fechamento de alguns hotéis, comentou na quarta-feira a prefeita de Washington, a democrata Muriel Bowser, que já havia pedido aos americanos para não viajarem para a capital para a posse.

A plataforma de aluguel de residências particulares Airbnb anunciou na quarta-feira o cancelamento e o bloqueio das reservas na capital durante a semana da posse.

Já a companhia aérea Delta advertiu, ontem, que os passageiros que voarem para a capital não poderão transportar arma na bagagem a partir de sábado (16).

Eleições Americanas