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EUA revisará designação de huthis iemenitas como grupo terrorista, diz Blinken

19/01/2021 19h28

Washington, 19 Jan 2021 (AFP) - Antony Blinken, designado pelo presidente eleito Joe Biden como futuro chefe da diplomacia americana, disse nesta terça-feira (19) que revisará a qualificação de terrorista imposta por Washington aos rebeldes huthis do Iêmen.

"Proporíamos revisá-lo de forma imediata para nos assegurar que o que estamos fazendo não impeça a prestação de assistência humanitária", disse Blinken em sua audiência de confirmação perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado.

O governo do presidente em fim de mandato Donald Trump anunciou a medida em 11 de janeiro, nove dias antes de Biden tomar posse, marcada para esta quarta-feira.

A ONU e grupos humanitários alertaram que isso pode piorar uma crise humanitária já muito séria.

Os huthis, apoiados pelo Irã, enfrentam uma ofensiva sangrenta liderada pela Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, e milhões de iemenitas dependem da ajuda humanitária internacional para sobreviver.

Os huthis, que controlam grande parte do norte do Iêmen devastado pela guerra, advertiram nesta terça-feira que responderão a qualquer ação contra eles, após serem classificados de "terroristas" pelos Estados Unidos.

"Estamos prontos para tomar todas as medidas necessárias contra qualquer ato hostil", disseram em um comunicado.

Espera-se que essa classificação interrompa muitas transações com as autoridades huthis, incluindo transferências eletrônicas e pagamentos a trabalhadores da saúde, de alimentos e combustível, em meio a temores de retaliação dos Estados Unidos.

Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu a Washington que reverta a medida.

"Nossa posição sobre isso não mudou", disse Dujarric. "Pedimos ao governo (dos Estados Unidos) que revogue essa decisão."

"Desde o início nossa preocupação, que expressamos de forma muito clara, é o impacto no setor comercial", explicou. "A grande maioria dos alimentos e outros suprimentos básicos entram no Iêmen pelo setor comercial", concluiu.

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