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Maduro diz que quer estabelecer 'novo caminho' com os EUA

8.dez.2020 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante entrevista coletiva à imprensa - Manaure Quintero/Reuters
8.dez.2020 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante entrevista coletiva à imprensa Imagem: Manaure Quintero/Reuters

24/01/2021 09h02

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não reconhecido pelos Estados Unidos, convocou no sábado (23) a nova administração de Joe Biden a "virar a página", declarando-se disposto a estabelecer "um novo caminho" nas relações diplomáticas rompidas entre Caracas e Washington.

"Queremos trilhar um novo caminho de relações com o governo Joe Biden, baseado no respeito mútuo, no diálogo, na comunicação e na compreensão", declarou Maduro.

A Venezuela "está disposta a virar a página e a construir novos caminhos de respeito, diálogo e comunicação diplomática com o novo governo dos Estados Unidos", completou Maduro, diante de partidários da sacada do palácio presidencial de Miraflores, no centro de Caracas.

O ato coincidiu com as comemorações de 23 de janeiro de 1958, data em que ruiu a ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez.

Exatamente no dia 23 de janeiro de 2019, o líder da oposição Juan Guaidó se autoproclamou presidente da Venezuela depois que a maioria da oposição que controlava a Assembleia Nacional declarou Maduro um "usurpador", acusando-o de ter sido reeleito graças a uma "fraude" em 2018.

O governo Donald Trump reconheceu imediatamente Guaidó como presidente interino, e Maduro respondeu anunciando o colapso das relações entre Caracas e Washington, tensas desde a época do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013).

"Há dois anos, tive que reagir com força e dignidade e, desta mesma sacada, procedi como chefe de Estado para romper todas as relações políticas e diplomáticas com o governo dos Estados Unidos da época", continuou Maduro. "Trump se foi!", comemorou.

Antony Blinken, indicado por Biden para ser o novo secretário de Estado americano, disse que a Casa Branca continuará a reconhecer Guaidó como representante do governo venezuelano, apesar da nova maioria chavista no Parlamento. Boicotadas pela oposição, as eleições não são reconhecidas pelos Estados Unidos, União Europeia e vários países da América Latina.

Blinken chamou Maduro de "ditador brutal".

Guaidó defende a continuidade do antigo Parlamento da oposição diante do questionamento das eleições legislativas de 6 de dezembro passado e, com isso, de sua posição como chefe do Congresso. Ele reivindica a presidência interina da Casa.

Analistas acreditam que o governo Biden será mais moderado e defenderá a mediação internacional para uma transição gradual de poder na Venezuela.

Acusações

O presidente da nova Assembleia Nacional Chavista, Jorge Rodríguez, renovou ontem (23) as acusações de corrupção contra Guaidó, com base em denúncias publicadas pelo jornal americano The Washington Post sobre supostas irregularidades com fundos e ativos da Venezuela por US$ 40 bilhões bloqueados no exterior.

Rodríguez pediu aos parlamentos do Paraguai e da Argentina que investiguem um dos casos denunciados: negociações do governo do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, com Guaidó para perdoar uma dívida de petróleo que incluía uma comissão de US$ 26 milhões a gestores de um eventual acordo.

"Vamos enviar uma carta ao Parlamento paraguaio" para investigar "as relações entre Guaidó e Abdo", declarou o congressista em entrevista coletiva.

Rodríguez disse ainda que será enviada uma comunicação ao Legislativo argentino, onde, segundo ele, foram realizadas as negociações. Ele também pediu aos tribunais espanhóis que investiguem o mentor de Guaidó, Leopoldo López, exilado em Madri.

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