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Fim do confinamento em bairro de Hong Kong, que confirma 13 casos de covid

23.jan.2021 - Moradores carregam compras para enfrentar 48 horas de confinamento no bairro de Jordan, em Hong Kong, devido a um surto de covid-19 - Tyrone Siu/Reuters
23.jan.2021 - Moradores carregam compras para enfrentar 48 horas de confinamento no bairro de Jordan, em Hong Kong, devido a um surto de covid-19 Imagem: Tyrone Siu/Reuters

25/01/2021 07h44

Hong Kong encerrou hoje o confinamento de um bairro, o primeiro ordenado pelas autoridades desde o início da pandemia, que permitiu identificar 13 casos de covid-19 entre os 7.000 residentes testados, gerando um debate sobre a eficácia de tal medida.

No fim de semana, a polícia foi mobilizada para isolar cerca de 150 prédios no bairro Jordan, uma das áreas mais pobres e densamente povoadas de Hong Kong, onde surtos surgiram recentemente.

As autoridades foram de porta em porta para forçar os residentes a fazerem o teste. Dos cerca de 7.000 exames realizados, apenas 0,17% foram positivos para o novo coronavírus.

Vozes se levantaram entre os líderes políticos e econômicos para denunciar a forma como esse confinamento foi implementado.

Mas as autoridades justificaram sua escala e não descartaram outros confinamentos do tipo.

"Não vemos esta operação como um desperdício de mão de obra e dinheiro", disse a ministra da Saúde, Sophia Chan, a repórteres no domingo.

Hong Kong esteve na linha de frente quando os primeiros casos do novo coronavírus foram detectados na China continental, há mais de um ano.

A cidade, repleta de prédios residenciais, totalizou pouco mais de 10.000 casos desde o início da pandemia e 170 mortes foram formalmente atribuídas à covid-19.

Seus cerca de 7,5 milhões de habitantes vivem há um ano sob restrições mais ou menos severas que se mostraram eficazes na prevenção de surtos, mas pesam na economia.

Há dois meses, Hong Kong foi atingida por uma quarta onda de infecções e as autoridades introduziram novas restrições.

Nas últimas semanas, surtos epidêmicos surgiram em bairros pobres, onde as moradias estão entre as mais apertadas do planeta.

Habitações apertadas

David Hui, especialista em doenças infecciosas que assessora o governo, defendeu esse tipo de confinamento.

No entanto, pediu às autoridades que ajam mais rapidamente no futuro para evitar que os moradores fujam antes que as medidas entrem em vigor.

"O mais preocupante é saber que o vírus pode se espalhar fora, porque alguns moradores saíram quando souberam que um confinamento em seu bairro seria colocado em prática", disse ele.

Esta informação vazou na manhã de sexta-feira na mídia de Hong Kong e os moradores deixaram o bairro antes da chegada da polícia na noite de sexta.

Benjamin Cowling, epidemiologista da Universidade de Hong Kong, estimou nesta segunda no canal RTHK que o confinamento de certos bairros tem efeito limitado, estando o coronavírus presente em todo o território.

O bairro isolado neste fim de semana tem uma grande população do sul da Ásia - uma comunidade muitas vezes discriminada - e alguns criticaram a forma como a operação se desenrolou, especialmente após a distribuição para famílias muçulmanas de cestas básicas contendo carne de porco.

Na semana passada, uma autoridade da saúde provocou fortes reações depois de sugerir que os residentes de minorias étnicas poderiam espalhar o vírus mais facilmente porque "eles gostam de compartilhar comida, fumar, beber álcool e discutir juntos".

Alguns responderam que a pobreza e a falta de habitação a preços acessíveis os obriga a viver em habitações apertadas, o que promove a propagação do vírus e que isso não está relacionado com uma questão étnica ou cultural.

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