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1 mês

Cidade argentina registra confrontos após anúncio de retorno a quarentena estrita

05/03/2021 21h27

Buenos Aires, 6 Mar 2021 (AFP) - Confrontos entre a polícia e manifestantes sacudiram nesta sexta-feira (5) a cidade argentina de Formosa, norte do país, durante um protesto provocado pela decisão das autoridades provinciais de retornar à fase mais estrita da quarentena devido à pandemia.

Forças de segurança reprimiram com gás e balas de borracha centenas de manifestantes que se dirigiam à sede do governo da província de Formosa, no centro da cidade de mesmo nome, onde derrubaram barreiras de segurança.

A província de Formosa está fechada e não permite a entrada de pessoas de outras regiões do país. Em janeiro houve denúncias de abusos nos centros de isolamento para doentes e suspeitos de covid-19.

Fronteiriça com o Paraguai, é uma das províncias que adotaram medidas mais duras para conter a pandemia. No último ano, acumula pouco mais de 1.300 casos.

Os manifestantes, muitos deles trabalhadores da economia informal, avançaram aos gritos de "Queremos trabalhar!".

Cerca de 60 pessoas foram presas, denunciou a vereadora Gabriela Neme, que fraturou o braço durante o protesto. Segundo a Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina, um jornalista foi ferido por balas de borracha e uma colega foi detida durante a cobertura do protesto.

Imagens da forte repressão se multiplicaram nas redes sociais.

Os manifestantes protestavam contra o anúncio do governador Gildo Insfrán de que, nas próximas duas semanas, Formosa passará à fase 1 da quarentena, a de maior restrição a atividades, após a confirmação de 17 novos casos de covid-19 nesta cidade de 250.000 habitantes.

"Um grupo que não concorda com as decisões sanitárias recorreu à violência extrema para fazer suas reivindicações. Nada justifica esse tipo de ação violenta. Fazemos um chamado à reflexão e convidamos a que todas as suas reivindicações sejam feitas de forma pacífica", declarou o ministro de governo provincial Jorge Abel González, ao ratificar o endurecimento das restrições.

A repressão aos protestos foi repudiada por partidos da oposição e também pelo governo do presidente Alberto Fernández, um peronista de centro esquerda, assim como pelo governador Insfrán.

O escritório das Nações Unidas na Argentina também expressou sua "preocupação" e pediu que se garanta o respeito aos direitos humanos no âmbito das políticas sanitárias contra a covid-19.

A Argentina supera 1,2 milhão de infectados e 52 mortes por coronavírus, em um país de 44 milhões de habitantes.

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