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1 mês

Professor esquerdista e economista de direita lideram eleições no Peru

12/04/2021 09h11

O professor de esquerda radical Pedro Castillo e o economista de direita Hernando de Soto lideram a apuração do primeiro turno da eleição presidencial no Peru, de acordo com o resultado parcial do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), após a contagem de 52% dos votos.

Castillo tem 16,3% e De Soto 13,5%, o que confirma a necessidade de segundo turno, programado para 6 de junho.

Em terceiro lugar aparecem empatados o empresário ultraconservador Rafael López Aliaga e Keiko Fujimori (direita populista) com 12,9%, de acordo com um boletim do ONPE divulgado às 6H15 locais (8H15 de Brasília).

"Hoje o povo peruano acaba de tirar a venda dos olhos", disse Castillo, um professor e sindicalista de 51 anos, em sua cidade natal Cajamarca (norte).

"É evidente que a margem é estreita", declarou De Soto, de 79 anos.

Os peruanos, que tiveram quatro presidentes desde 2018, compareceram às urnas para escolher um novo chefe de Estado entre 18 candidatos, sem nenhum favorito, enquanto a pandemia de covid-19 não dá trégua ao país.

"Nunca na história os percentuais (dos candidatos mais votados) foram tão baixos, o que significa que aqueles que vão ao segundo turno devem conquistar pelo menos 70% restante", disse o analista Fernando Tuesta ao Canal N.

A apuração oficial prosseguirá e a última palavras sobre os candidatos do segundo turno cabe ao Júri Nacional de Eleições (JNE), o que pode demorar quase um mês.

"Tudo deve estar resolvido, os que vão para o segundo turno, na primeira semana de maio", declarou o presidente do JNE, Jorge Luis Salas.

Salas recordou que nas eleições 2016 o JNE demorou 29 dias para anunciar os candidatos do segundo turno e 33 dias em 2011.

Ele também afirmou que os 130 parlamentares eleitos no domingo serão conhecidos na última semana de maio. As pesquisas apontaram que o novo Congresso serão tão fragmentado como o atual.

Castillo saiu do anonimato em 2017 ao liderar uma prolongada greve nacional e não apareceu por muito tempo entre os candidatos favoritos.

A campanha foi marcada pela pandemia e pala apatia e cansaço dos peruanos, ao final de um mandato de cinco anos conturbados, em um país sem partidos políticos forte e onde o candidato importa mais que ideologia.

Em Lima, muitas pessoas votaram mais preocupadas com o risco de contágio de covid-19 ou a falta de trabalho e renda do que com as eleições.

Mas o voto no Peru é obrigatório e a abstenção pode provocar multas.

O Peru tem quase 55.000 mortes provocadas pela covid-19 e 1,6 milhão de casos. Reflexo da frágil situação de saúde, sei candidatos contraíram o coronavírus, três deles na última semana: George Forsyth, José Vega e Marco Arana.

O Peru registrou 9.667 contágios de média por dia na semana passada, o maior número em 13 meses de pandemia, e no sábado contabilizou o recorde de 384 mortes.

Enquanto alguns peruanos votavam, outros permaneciam em filas de locais de venda ou doação de oxigênio em Lima para conseguir uma recarga para um parente com covid-19.

O novo presidente deve assumir o cargo em 28 de julho, dia em que o Peru vai comemorar o bicentenário da independência, e terá o desafio de superar emergência sanitária, a recessão econômica e a crise política em uma nação de 33 milhões de habitantes.

Dos 10 presidentes que o Peru teve desde o fim do regime militar, em 1980, sete foram condenados, estão afetados por escândalos ou são investigados pelo Ministério Público.

A instabilidade política dos últimos cinco anos chegou ao ápice em novembro, quando o país teve três presidentes em cinco dias, com protestos que deixaram dois mortos e mais de 100 feridos.

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