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15 dias

Soldados de colônias britânicas foram vítimas de 'racismo generalizado', diz estudo

22/04/2021 15h16

Londres, 22 Abr 2021 (AFP) - Dezenas de milhares de soldados das colônias britânicas que lutaram e morreram pelo Reino Unido na Primeira Guerra Mundial não receberam reconhecimento devido a um "racismo generalizado", segundo um relatório do órgão encarregado de preservar sua memória.

"Estou profundamente afetado" com as conclusões deste relatório, admitiu o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que pediu desculpas.

"Nosso dever compartilhado é de honrar e lembrar todos aqueles que, independentemente de onde vivam e de sua origem, deram a vida pelas nossas liberdades no momento mais perigoso", acrescentou Johnson em nota, pouco depois de o ministro da Defesa, Ben Wallace, pedir desculpas no Parlamento.

Segundo este relatório, entre 45.000 e 54.000 soldados, principalmente africanos e indianos, não foram homenageados da mesma forma que seus colegas brancos na Europa, especialmente com monumentos coletivos em vez de túmulos individuais.

Ao menos outros 116.000, e potencialmente até 350.000, em sua maioria da África Oriental e Egito, "não foram homenageados pelo seu nome ou possivelmente em absoluto", acrescenta.

O relatório cita o governador da colônia que posteriormente se tornou Gana, que disse em 1923 que "o nativo médio (...) não entenderia nem apreciaria uma lápide".

Na base destas decisões estão "os preconceitos persistentes, as ideias pré-concebidas e o racismo generalizado das atitudes imperiais contemporâneas", afirma o texto, elaborado por um comitê especial criado pela Comissão de Túmulos de Guerra da Commonwealth (CWGC), órgão encarregado de homenagear a memória dos 1,7 milhão de soldados da comunidade britânica que morreram nas duas guerras mundiais.

O ministro da Defesa afirmou ao Parlamento que a leitura do relatório "é objeto de reflexão" e ignorar os soldados de minorias "não tem justificativa".

Também afirmou que o governo aplicará plenamente as conclusões desta investigação, que incluem "ampliar a busca" de desigualdades no sistema e construir estruturas digitais ou físicas para honrar os mortos.

Por sua vez, a CWGC aceitou "as conclusões e falhas identificadas neste relatório" e apresentou uma "desculpa sem reservas".

"Reconhecemos e lamentamos profundamente os erros do passado e agiremos imediatamente para corrigi-los", acrescentou a diretora-geral da organização, Claire Horton.

Para David Lammy, deputado trabalhista que apresentou um documentário crítico sobre essa questão, "The Unremembered" (os esquecidos, em tradução livre), "nenhuma desculpa vai reparar a indignidade sofrida pelos que ficaram para trás".

"No entanto, esta desculpa nos dá a oportunidade, como nação, de analisar este horrível capítulo da nossa história e prestar a devida homenagem a todos e cada um dos soldados que sacrificaram suas vidas por nós", acrescentou no Twitter.

mpa-acc/zm/aa

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