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1 mês

Crianças americanas voltam para a escola e também para as armas de fogo

07/05/2021 13h59

Washington, 7 Mai 2021 (AFP) - Estudantes de várias regiões dos Estados Unidos voltaram às salas de aula após meses de ensino à distância devido à pandemia de covid-19, mas esse retorno reavivou a ameaça da violência armada.

A quinta-feira começou como um filme de terror: às 7h, um militar do exército em treinamento na Carolina do Sul (sudeste) sequestrou um ônibus escolar por motivos que ainda não estão claros.

As 18 crianças que iam para a escola primária foram mantidas sob ameaça de seu rifle antes que ele as soltasse ilesas e saísse do veículo.

O jovem de 23 anos foi preso pouco depois e acusado de sequestro.

Do outro lado do país, em uma pequena cidade de Idaho (noroeste), por volta das 9h, uma aluna da sexta série - com idade entre 11 e 12 anos - tirou uma pistola da mochila e atirou. Dois alunos e um funcionário da escola ficaram feridos. Um professor conseguiu desarmar a menina, que foi presa.

À tarde, em Albuquerque, Novo México (sul), um colégio foi evacuado porque um professor acreditou ter visto um aluno carregando uma arma. Era um celular, mas a situação mostra como os professores estão nervosos.

E não é à toa: na Carolina do Sul, também nesta quinta-feira, um estudante do ensino médio foi preso por ir à escola com arma de fogo. No dia anterior, no Alabama (sudeste), um estudante do ensino médio foi preso com duas pistolas e uma faca.

- "Pior que antes da pandemia" -Esses incidentes aparecem na mídia local, mas chegam às manchetes nacionais apenas banhos de sangue, como o de fevereiro de 2018 (17 mortos) em Parkland, Flórida.

"Nenhum outro país desenvolvido experimenta ou tolera tiroteios constantes em escolas", lamentou no Twitter Shannon Watts, fundadora do movimento Moms Demand Action, contra a proliferação de armas para uso pessoal.

Mais de 248.000 estudantes foram expostos a tiroteios em escolas dos EUA desde o massacre de Columbine em 1999 (13 mortos), de acordo com um banco de dados do Washington Post que inclui testemunhas e os que tiveram que ser evacuados em uma emergência.

Depois de 25 e 23 tiroteios em escolas registrados em 2018 e 2019 respectivamente, a pandemia trouxe uma trégua, já que a maioria das escolas fechou em março de 2020 e algumas estão começando a reabrir.

Assim, 'apenas' nove tiroteios foram registrados em 2020 e dois no primeiro trimestre de 2021.

"Tememos que a violência armada nas escolas dos Estados Unidos seja pior em 2021 do que antes da pandemia", alertaram dois professores de direito penal, James Densley e Jillian Peterson, em um artigo publicado no site The Conversation, após a morte de um estudante em uma escola secundária do Tennessee em 12 de abril.

A venda recorde de armas de fogo nos últimos meses e a deterioração da saúde mental de jovens confinados "agravam o risco de violência", segundo os dois especialistas, autores de um livro sobre o assunto.

Em 26 de abril, um aluno da sexta série em Minnesota (norte) disparou um tiro no corredor da escola antes de ser preso. Seu pai mais tarde se desculpou na mídia local.

"Com a covid, as crianças ficam deprimidas, não têm amigos, não sabem o que fazer", Troy Gorham tentou explicar à afiliada local da ABC.

"Eles estão o tempo todo na frente de computadores, que fritam seus cérebros."

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