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1 mês

Escassez de gasolina, desemprego e tensões internas: uma semana ruim para Biden

13/05/2021 16h55

Washington, 13 Mai 2021 (AFP) - Postos de combustível com escassez de gasolina, números decepcionantes de empregos, temores inflacionários, uma situação explosiva no Oriente Médio - pela primeira vez desde que chegou ao poder, Joe Biden enfrenta uma semana complicada.

Depois de seus primeiros 100 dias a todo vapor e com uma disciplina que contrasta com o caos dos anos de Donald Trump, o presidente democrata entrou em uma fase mais delicada de seu mandato.

Esse acúmulo de crises, de naturezas muito diversas, poderia, caso não houvesse uma resposta adequada, reforçar uma imagem difícil de apagar depois para o presidente mais velho da história do país.

A imagem de um líder que se sente muito à vontade em desenvolver planos cuidadosamente elaborados com antecedência, mas com menor capacidade de reação e agilidade diante do imprevisto, como já aconteceu com sua hesitação inicial diante da crise migratória na fronteira sul.

O ciberataque que causou a paralisação da rede de oleodutos que transporta 45% da gasolina norte-americana das refinarias do Golfo do México para a costa leste mobilizou o país.

O grupo Colonial Pipeline anunciou que havia "começado" a retomar suas operações, mas o retorno à normalidade deve demorar alguns dias e, como um velho conhecido da política, Biden sabe bem: a questão da escassez de gasolina é ultra sensível nos Estados Unidos.

Alguns republicanos já promovem comparações com Jimmy Carter e as imagens que se tornaram simbólicas de seu único mandato (1977-1981): as longas filas de motoristas apressados enchendo o tanque em meio à Segunda Crise do Petróleo.

Donald Trump, que está recuperando a voz após várias semanas de discrição e agora usa comunicados como antes usava seus tweets, não perdeu a oportunidade de ironizar.

"Vejo todos comparando Joe Biden a Jimmy Carter. (...) Acho muito injusto com Jimmy Carter. Jimmy administrou mal uma crise após a outra, mas Biden criou uma crise após a outra."

No plano econômico, uma série de indicadores ruins colocou a Casa Branca na defensiva. Diante de números de criação de empregos em abril muito distantes dos milhões esperados, Biden multiplicou suas intervenções pedindo paciência.

As cifras da inflação divulgadas na quarta-feira também alimentaram preocupações. Em doze meses, o índice apresentou forte aceleração, indo para 4,2% em relação a abril de 2020, frente a 2,6% em março.

Entre mercados e economistas, surge uma questão persistente: esse aumento de preços, que parece destinado a se acelerar nos próximos meses, ainda vai durar muito mais ou acabará se estabilizando?

- Tensões entre democratas -Superando as previsões, Biden tem conseguido até agora manter o Partido Democrata relativamente unido, contando, entre outros, com apelos por uma união sagrada em torno da vacinação e promessas de enormes investimentos públicos (que ainda precisam, porém, superar o obstáculo do Congresso).

Mas a escalada no Oriente Médio despertou velhos atritos: a ala mais à esquerda do partido já está se posicionando contra um alinhamento que julga sem nuances junto ao Estado hebraico.

Questionado sobre a espiral de violência entre israelenses e palestinos, Biden insistiu durante uma breve conversa com jornalistas que Israel "tem o direito de se defender", ao que a congressista democrata de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez reagiu energicamente no Twitter.

"Declarações genéricas como essas com pouco contexto ou reconhecimento do que precipitou este ciclo de violência - isto é, as expulsões de palestinos e ataques a Al Aqsa - desumanizam os palestinos e implicam que os EUA fecharão os olhos para violações dos direitos humanos. Está errado", escreveu ela.

Diante desse acúmulo de tensões, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, elogiou insistentemente a vasta experiência política de Joe Biden, que foi senador por 36 anos, garantindo que ele está pronto para enfrentar grandes tempestades.

"O presidente sabia, por ter sido vice-presidente durante oito anos, que quando você assume as rédeas (...) deve estar preparado para lidar com vários desafios, várias crises de uma vez", respondeu ela na quarta-feira.

Biden, por sua vez, continua a insistir no espetacular progresso obtido na luta contra a covid-19, que avança com força rumo à ambiciosa meta de vacinar 70% dos adultos norte-americanos com pelo menos uma dose antes do feriado nacional de 4 de julho.

Destacando suas reuniões com legisladores dos dois campos, o democrata também cultiva sua imagem de homem de consenso e reitera seu otimismo quanto à evolução a médio prazo da situação do país.

"Os americanos apoiam minha ação de forma esmagadora", disse ele na noite de quarta-feira à rede MSNBC, referindo-se às pesquisas favoráveis, em particular sobre seu plano de apoio à economia de 1,9 trilhão de dólares.

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