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Termina prazo para o registro de candidaturas à presidência do Irã

15/05/2021 11h33

Teerã, 15 Mai 2021 (AFP) - Um grande número de personalidades iranianas esperou até o último momento, neste sábado (15), para apresentar sua candidatura às eleições presidenciais de junho, que parece se orientar para um duelo entre o conservador moderado Ali Larijani e o ultraconservador Ebrahim Raïssi.

Presidente do Parlamento de 2008 a 2020, Larijani, agora assessor do guia supremo Ali Khamenei, foi esta manhã ao ministério do Interior para apresentar seu dossiê, no último dia de registro de candidaturas.

Raïssi, chefe do Poder Judiciário desde março de 2019, fez o mesmo na parte da tarde.

Também se apresentaram neste sábado, entre outros, o atual primeiro vice-presidente, Eshaq Jahanguiri, bem como Mohsen Rézaï, ex-comandante-chefe da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, e Saïd Jalili, ex-secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

"No final das contas, o confronto principal será entre Raïssi e Larijani: o primeiro representando a facção ultraconservadora e parte dos conservadores tradicionais (...) e o segundo os conservadores tradicionais e moderados e, por procuração, os reformistas", comentou à AFP Massud Bastani, jornalista freelance em Teerã.

No total, mais de 300 pessoas apresentaram suas candidaturas, mas apenas um pequeno número terá permissão para concorrer após a validação do Conselho dos Guardiães da Constituição, um órgão responsável por monitorar a maioria das eleições.

O Conselho deve publicar a lista de candidatos aprovados nos dias 26 e 27 de maio, com a campanha oficialmente aberta em 28 de junho, três semanas antes do primeiro turno, em 18 de junho.

- Desencanto -Dada a sua proximidade com o aiatolá Khamenei, a aprovação de Larijani e Raïssi - que participaram de eleições presidenciais em 2005 e 2017, respectivamente - está garantida.

Por outro lado, a imprensa iraniana acredita que o ex-presidente Mahmoud Ahmadinehjad deve ser desclassificado, como em 2017, bem como a maioria dos candidatos reformistas.

Isso deixaria espaço para Larijani à esquerda e Raïssi à direita.

Os demais candidatos não parecem capazes de eclipsá-los.

Após uma abstenção recorde (mais de 57%) nas eleições legislativas de fevereiro de 2020, o guia supremo apelou em várias ocasiões nos últimos meses para uma participação "massiva" nas eleições presidenciais.

A participação de Larijani e Raïssi poderia mobilizar o eleitorado, com a grande incógnita sobre o grau de desencanto da população. O presidente Hassan Rohani aparenta estar bastante desacreditado na opinião pública.

Diante de um Raïssi que pode contar com uma base sólida (mais de 38% dos votos no primeiro turno em 2017), Larijani terá que convencer os decepcionados com Rohani.

Mas a visão ultraconservadora de Raïssi - acusado por organizações de direitos humanos e opositores no exílio de ser responsável pela execução sem julgamento de centenas de prisioneiros quando foi procurador adjunto do Tribunal Revolucionário de Teerã no final da década de 1980 - também pode lançar uma grande parte da população contra ele, como em 2017.

O sucessor de Rohani herdará uma República Islâmica atingida pela crise econômica e social, onde o descontentamento da população ainda é palpável após a violenta repressão aos protestos de 2017-2018 e novembro de 2019.

Rohani havia apostado na normalização com o Ocidente, graças ao acordo nuclear internacional de 2015, para tirar o país do isolamento e atrair investidores estrangeiros. Mas a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto em 2018 e o retorno das sanções americanas destruíram esse sonho, ainda que o resgate do acordo esteja atualmente sendo negociado entre iranianos, europeus, ocidentais, russos e chineses.

"A principal questão é a economia", disse Larijani neste sábado. "A política externa do país (deve) ter como objetivo facilitar as relações externas para o desenvolvimento econômico", acrescentou este defensor do acordo de Viena.

Raïssi, por sua vez, se apresenta como "o adversário da corrupção, da ineficiência e da aristocracia" e prometeu lutar incansavelmente "contra a pobreza", retomando seus principais temas de campanha de 2017.

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