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1 mês

EUA e UE relançam relação bilateral de olho na China

15/06/2021 15h41

Bruxelas, 15 Jun 2021 (AFP) - Uma cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e os líderes das instituições europeias relançou as relações transatlânticas, nesta terça-feira (15), com um acordo-chave relativo à disputa comercial entre os gigantes Boeing e Airbus que lhes permite se concentrarem na China.

Biden teve um encontro de pouco mais de duas horas com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com titular do Conselho Europeu, Charles Michel, em um novo capítulo de uma relação que atravessou momentos de aperto nos últimos anos.

O resultado imediato mais importante da cúpula foi a decisão de estender por cinco anos a suspensão de medidas tarifárias de represálias, em consequência de um interminável conflito comercial entre os gigantes aeronáuticos Boeing e Airbus.

"Boa notícia para nossos viticultores! Com o acordo sobre o litígio Airbus-Boeing definido, as taxas norte-americanas, inclusive sobre o vinho francês, foram suspensas. Esses são os primeiros resultados do nosso novo relacionamento com os Estados Unidos", tuitou o presidente francês, Emmanuel Macron.

A disputa se arrasta desde 2017, com pesadas tarifas punitivas dos dois lados, mas as partes decidiram tomar um prazo de até cinco anos sem sanções, ou tarifas recíprocas, para encontrar uma solução definitiva.

"Isto realmente abre um novo capítulo em nossa relação, porque passamos da disputa para a cooperação aeronáutica", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Biden destacou, por sua vez, que o acordo é "um modelo" que pode ser aplicado a "outros desafios colocados pelo modelo econômico chinês".

"Concordamos em trabalharmos juntos para desafiar e responder às práticas da China em um setor que dá às companhias chinesas uma vantagem injusta", frisou o presidente dos EUA.

A representante americana do Comércio (USTR), Katherine Tai, disse que o acordo "resolve um longo fator de irritação na relação entre Estados Unidos e Europa".

Em março, a UE e o governo americano decidiram suspender a aplicação das tarifas recíprocas até 11 de julho, e agora se preparam para uma trégua de vários anos.

- Reação imediata -Em nota, a empresa Airbus saudou o acordo e destacou que "dará bases para criar um cenário nivelado", acrescentando que as tarifas "se somam aos muitos desafios que a indústria enfrenta".

"A Boeing apoiará plenamente os esforços do governo americano para garantir o respeito aos princípios deste acordo", garantiu a fabricante americana em um comunicado.

De Genebra, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonko-Iweala, declarou que a disputa entre Boeing e Airbus era "uma das mais antigas e difíceis" da história da entidade.

UE e Estados Unidos "mostraram que mesmo as diferenças aparentemente mais difíceis podem ser resolvidas", completou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, celebrou os "primeiros resultados" da "nova relação" com o governo Biden.

"Boa notícia para nossos viticultores! Com o acordo decidido sobre o litígio Airbus-Boeing, as tarifas americanas, entre elas sobre o vinho francês, são suspensas. Aqui os primeiros resultados da nossa nova relação com os Estados Unidos", tuitou Macron.

Na Espanha, a ministra da Indústria, Reyes Maroto, ressaltou que o acordo "permitirá estreitar as relações entre UE e Estados Unidos no setor das aeronaves civis de grande porte, passando de uma situação de confronto para uma abordagem colaborativa".

Na mesma linha, o ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, disse que o acordo para estender a trégua por cinco anos é "um sinal da cooperação transatlântica e do reinício das relações" entre UE e os Estados Unidos.

Além da controvérsia entre Boeing e Airbus, um dos temas mais importantes é encontrar uma solução para a grave disputa comercial que começou em 2018 quando o então presidente Donald Trump adotou tarifas elevadas para a importação de aço e alumínio europeus.

A UE respondeu com a adoção de tarifas a produtos americanos que alcançaram 2,8 bilhões de euros.

- Agenda pendente -"Foi muito bom ouvir claramente que os Estados Unidos estão de acordo conosco em que a UE não é uma ameaça a sua segurança nacional", disse Von der Leyen nesta terça.

"Concordamos em que ambos queremos preservar uma indústria do aço e do alumínio que seja vibrante e temos de trabalhar juntos para atender o sério problema de sobrecapacidade global que enfrentamos", completou.

Desde a chegada de Biden à Casa Branca, as partes deram sinais de interesse em uma solução, mas agora os europeus esperam gestos concretos, e não apenas discursos.

Os países da UE adiaram uma decisão sobre o aumento das tarifas e aguardam o próximo passo de Washington.

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