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1 mês

Anistia pede investigação do presidente eleito iraniano por crimes contra a humanidade

19/06/2021 10h37

Nicósia, 19 Jun 2021 (AFP) - A Anistia Internacional pediu uma investigação por crimes contra a humanidade contra o ultraconservador Ebrahim Raisi, declarado neste sábado (19) vencedor das eleições presidenciais do Irã, acusado de uma "espiral de repressão" contra os direitos humanos.

"O fato de Ebrahim Raisi ter chegado à presidência em vez de ser investigado por crimes contra a humanidade, como assassinato, desaparecimento forçado e tortura, é um lembrete desanimador de que a impunidade reina suprema no Irã", disse a organização em um comunicado.

"Continuamos pedindo que Ebrahim Raisi seja investigado pelo seu envolvimento em crimes antigos e atuais contra o direito internacional", acrescentou.

A Anistia afirmou que Raisi foi membro da "Comissão da Morte", supostamente responsável pelo desaparecimento forçado e pela execução extrajudicial de milhares de prisioneiros opositores em 1988.

Ao ser questionado em 2018 e 2020 sobre este episódio, Raisi negou envolvimento, mas homenageou a "ordem" que gerou essa tragédia, dada - segundo ele - pelo aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica.

A Anistia afirmou que "o destino das vítimas e o paradeiro de seus corpos foram, até agora, sistematicamente escondidos pelas autoridades iranianas".

Essa organização de defesa dos direitos humanos com sede em Londres afirma que Raisi comandou "uma espiral de repressão dos direitos humanos" como chefe da autoridade judicial do Irã nos últimos dois anos.

Segundo a Anistia, isso levou à prisão de "centenas de dissidentes pacíficos, defensores dos direitos humanos e membros de minorias perseguidas".

"Sob seu mandato, o poder judiciário também garantiu impunidade aos altos cargos do governo e às forças de segurança responsáveis pela morte de centenas de homens, mulheres e crianças", afirmou.

Também o acusa da "prisão em massa de milhares de manifestantes e do desaparecimento forçado de centenas, além de torturas e maus tratos" durante e depois da onda de protestos de novembro de 2019.

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