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Etiópia volta às urnas sufocada pela fome e a violência

19/06/2021 11h51

Adis Abeba, 19 Jun 2021 (AFP) - A Etiópia, o segundo país mais populoso da África, votará na segunda-feira (21) em suas eleições legislativas marcadas pela violência, principalmente na região do Tigré, devastada pela guerra e pela fome.

Assim que chegou ao poder em 2018, o primeiro-ministro Abiy Ahmed prometeu organizar as eleições mais democráticas da história deste país do Chifre da África, com mais de 80 grupos étnicos.

Elas estavam programadas para agosto de 2020, mas foram adiadas duas vezes devido à pandemia do coronavírus e problemas logísticos. Finalmente, a votação acontecerá na segunda-feira.

Abiy busca legitimidade popular três anos depois de ser nomeado para o cargo, e convida a todos os 37 milhões de eleitores a participarem de um "dia histórico".

Porém, alguns eleitores não votarão em quase um quinto dos 547 colégios eleitorais do país. Em 64 deles, a votação foi adiada para 6 de setembro.

Em alguns por razões de segurança, devido a insurreições armadas e violência entre comunidades que pioraram sob o mandato de Abiy. Em outros, devido a dificuldades logísticas (impressão e distribuição das cédulas, falta de treinamento da equipe eleitoral).

Ainda não há data para as 38 regiões eleitorais do Tigré, onde a guerra já dura mais de sete meses.

Nesta região norte, a rápida operação de "aplicação da lei" lançada por Abiy em novembro contra autoridades regionais dissidentes se tornou uma guerra devastadora: os combates persistem, os relatos de atrocidades contra civis se multiplicam e, de acordo com a ONU, pelo menos 350 mil pessoas estão em situação de fome.

- Credibilidade -Em algumas regiões, os partidos da oposição boicotam as eleições para protestar contra a prisão de seus líderes ou para denunciar eleições que consideram injustas.

O resultado esperado é que o Partido da Prosperidade forme uma maioria confortável no Parlamento, para que Abiy seja eleito primeiro-ministro.

O Ocidente vai acompanhar de perto: os Estados Unidos manifestaram preocupação com a exclusão de tantos eleitores do processo, e a União Europeia renunciou ao envio de uma missão de observação, por falta de garantias sobre as condições de trabalho.

Seus vizinhos, Egito e Sudão, já anunciaram que estarão atentos aos desdobramentos do pleito de segunda-feira.

Esses dois países se opõem à "Grande Barragem do Renascimento", projeto hidrelétrico no Nilo Azul, motivo de orgulho nacional na Etiópia, onde é considerada essencial para a autonomia energética e o desenvolvimento do país.

Abiy prometeu encher a barragem, com uma capacidade total de 74 bilhões de m3, apesar da oposição do Cairo e Cartum, que a consideram uma ameaça ao seu abastecimento de água.

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