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Conteúdo publicado há
2 meses

Cuba acusa EUA de pressionar países para impor declaração na OEA

21/07/2021 20h30

Havana, 21 Jul 2021 (AFP) - Cuba denunciou nesta quarta-feira (21) que os Estados Unidos fizeram circular uma carta entre países da América Latina, exercendo "pressões brutais" para tornar o documento uma declaração oficial da OEA contra o governo cubano pelo ocorrido nos protestos de 11 de julho na ilha.

"Denuncio que o Departamento de Estado dos Estados Unidos exerce pressões brutais sobre governos de um grupos de Estados da OEA", forçando-os a se juntarem a esta declaração ou emitir uma similar", declarou em um tuíte o chanceler cubano, Bruno Rodríguez.

O ministro "convocou" o secretário de Estado americano, Antony Blinken, a reconhecer ou negar a autenticidade da carta.

O governo cubano entregou aos jornalistas uma cópia da suposta carta em uma folha sem assinatura, data ou papel timbrado, na qual Havana é condenada por "prisões em massa e detenções de manifestantes". A carta também exige "a libertação dos detidos por exercerem o direito a protestos pacíficos".

O governo de Joe Biden prometeu sanções contra as autoridades cubanas nesta quarta-feira por supostas violações dos direitos humanos no contexto das manifestações.

Aos gritos de "temos fome", "abaixo a ditadura" e "liberdade", milhares de cubanos protestaram nos dias 11 e 12 de julho em mais de 40 cidades do país, em meio à pior crise econômica da ilha em décadas e um aumento acentuado nas infecções e mortes por covid-19.

As manifestações deixaram um morto, dezenas de feridos e centenas de detidos, segundo organizações civis. O governo não informou o número dos presos.

Eugenio Martínez Enríquez, diretor da chancelaria cubana para a América Latina e o Caribe, criticou as recentes declarações de autoridades em Washington e as classificou de "uma campanha pública de suposta preocupação com o povo cubano."

Washington anunciou na terça-feira que está avaliando permitir o fluxo de remessas e o aumento do quadro de funcionários de sua embaixada em Havana.

Por trás dessa campanha pública "há um plano sombrio, bem calculado e sinistro que os Estados Unidos vêm desenvolvendo" contra Cuba, afirmou Martínez.

Cuba foi suspensa da OEA em 1962, em plena Guerra Fria, mas essa sanção foi suspensa em 2009. No entanto, Havana não solicitou sua reincorporação ao órgão regional, para o qual teria que assinar a Carta Democrática Interamericana.

lp/cb/rsr/am