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Padres estão envolvidos em quase um terço dos casos de pedofilia em 2017-2020 na Polônia

27/07/2021 15h05

Varsóvia, 27 Jul 2021 (AFP) - Há padres envolvidos em quase um terço dos atos de pedocriminalidade registrados na Polônia entre 2017 e 2020, indicou nesta terça-feira (27) a comissão estadual que estudou mais de 300 casos desse período.

"A Comissão Estadual encarregada da pedofilia trata de 100 casos em que um membro do clero foi denunciado como autor de agressões sexuais contra uma criança menor de 15 anos", indicou a Comissão em seu primeiro relatório, que inclui 345 casos, e que foi apresentado à imprensa.

Nesta categoria, a Comissão apresentou à Procuradoria 55 pedidos de investigação, 36 deles relativos a casos em que os atos de pedofilia não foram denunciados às autoridades competentes.

Em 35% dos casos, os perpetradores são familiares das vítimas, disse a comissão.

O órgão, criado em 2019, também apresentou em seu relatório uma série de recomendações legislativas que visam agilizar os procedimentos e proteger melhor as vítimas de crimes contra crianças.

Indicou também que não recebeu, apesar de ter solicitado , documentação sobre casos de abusos contra crianças por parte da Igreja.

"Até agora, eles nos garantiram em várias ocasiões a disposição [da Igreja] de cooperar. Estamos muito satisfeitos, mas ainda não vimos essa promessa se tornar realidade", disse o presidente da Comissão, Blazej Kmieciak, aos repórteres.

No final de junho, a Igreja Católica revelou, no seu próprio relatório, que desde 2018 recebeu centenas de novas denúncias de agressões sexuais a menores por parte de membros do clero.

Ambos os relatórios coincidem com várias acusações dirigidas contra a Igreja - uma instituição muito influente na política polonesa - sobre alegados casos de pedofilia que as autoridades religiosas teriam encoberto, um assunto que até há pouco tempo ainda era tabu.

Em seu relatório, a Igreja aponta que de julho de 2018 até o final do ano passado foram registrados 368 casos de agressão sexual, cometidos de 1958 a 2020.

Segundo a Igreja, 39% das denúncias foram comprovadas. Cerca de 51% dos restantes casos estão sendo investigados, enquanto 10% das reclamações foram rejeitadas, principalmente por falta de credibilidade.

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