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1 mês

Explosões e tiroteios sacodem a capital do Afeganistão

03/08/2021 18h54

Cabul, 3 Ago 2021 (AFP) - Duas fortes explosões, seguidas de detonações menores e tiroteios, sacudiram na noite desta terça-feira (3) o Afeganistão, onde quatro pessoas morreram e outras vinte ficaram feridas.

As explosões ocorreram enquanto o exército afegão tenta proteger três cidades assediadas pelos talibãs, pedindo inclusive a evacuação de Lashkar Gah, no sul, para contra-atacar "duramente" os insurgentes que entraram em seu interior.

Em Cabul, a priori distante do campo de batalha, um carro-bomba explodiu à tarde no centro da cidade, perto da residência do ministro da Defesa, Bismillah Mohammadi, que disse estar bem.

A forte explosão foi ouvida em vários bairros da capital e deixou uma densa coluna de fumaça no céu. Duas horas depois, houve uma segunda grande detonação, seguida de outras de intensidade menor e intensos tiroteios.

Segundo fontes de segurança afegãs, que pediram para ter suas identidades preservadas, os ataques deixaram quatro mortos e vinte feridos.

O porta-voz do ministro do Interior afegão, Mirwais Stanekzai, informou que "os terroristas detonaram um carro cheio de explosivos" e que vários atacantes "entraram em casas e enfrentaram as forças de segurança".

Horas depois, deu o ataque por terminado e garantiu que "todos os atacantes foram mortos".

- O "selo" talibã -Os Estados Unidos condenaram os "atentados" e, embora tenham evitado atribuí-lo a um grupo, o porta-voz da diplomacia americana, Ned Price, assegurou que "levam o selo" dos talibãs.

Uma fonte de segurança afegã destacou que alguns atacantes tinham entrado na casa de um deputado onde vários parlamentares preparavam um plano para contrabalançar a ofensiva talibã.

Apesar das explosões e do fogo cruzado, multidões saíram às ruas de Cabul e seus terraços para entoar cânticos de "Morte aos talibãs" e em apoio às forças afegãs que tentam deter sua ofensiva em três capitais provinciais.

O ultraconservador grupo islâmico assumiu o controle de várias áreas rurais desde que as forças estrangeiras anunciaram sua retirada do Afeganistão no início de maio, mas está encontrando uma resistência maior nas capitais das províncias, que o governo prometeu defender a todo custo.

Há dias, os talibãs assediam Kandahar e Herat, segunda e terceira cidades do país, além de Lashkar Gah.

Nesta cidade de 200.000 habitantes, capital da província de Helmand (sul), o exército pediu a seus moradores a evacuação "o quanto antes" para poder "enfrentar" e "combater duramente" os insurgentes.

"Não deixaremos um único talibã com vida", disse o general Sami Sadat em mensagem à mídia.

- Talibãs "por todos os lados" -A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) tinha lamentado anteriormente a morte de pelo menos 40 civis e 118 feridos nas últimas 24 horas nos combates nesta cidade de 200.000 habitantes.

A Unama informou sua "profunda preocupação com os civis afegãos em Lashkar Gah", onde os enfrentamentos "se intensificam", e pediu o cessar dos combates e dos bombardeios aéreos em áreas urbanas.

Um morador de Lashkar Gah, que pediu para não ser identificado, disse à AFP que "os talibãs estão por todos os lados", circulando em moto, e a aviação afegã "bombardeia quase a cada minuto", inclusive casas particulares que os insurgentes usam como refúgio.

"Cerca de 20 casas da nossa vizinhança foram bombardeadas", lamentou este homem.

O diretor da rádio local Sukon, Sefatullah, assegurou que aviões afegãos e americanos estavam atacando as posições talibãs e que havia combates perto da prisão e de um complexo com escritórios policiais e de inteligência.

O governo afegão denunciou que os insurgentes tinham tomado quase quinze rádios e TVs locais, deixando apenas um canal transmitindo programação talibã.

"Os terroristas não querem que a mídia publique seus atos e mostre seus atropelos", disse o ministério da Informação e Cultura afegão.

A cidade ocidental de Herat também acumula dias de intensos combates. As forças governamentais, apoiadas por uma milícia local, conseguiram repelir os insurgentes em várias áreas, inclusive as proximidades do aeroporto, um setor-chave para obter provisões.

Mas na tarde desta terça, quatro foguetes atingiram o aeroporto. A infraestrutura não sofreu danos, informou seu diretor, Shaheer Salehi, à AFP, mas dois voos foram cancelados.

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