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4 meses

Unicef: uma a cada três crianças libanesas segue traumatizada um ano após explosão

03/08/2021 08h07

Beirute, 3 Ago 2021 (AFP) - Um ano depois da devastadora explosão no porto de Beirute, uma em cada três famílias no Líbano tem crianças com sinais de trauma - disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), nesta terça-feira (3).

"Uma em cada três famílias (34%) tem filhos que ainda mostram sinais de sofrimento psicológico", afirmou o Unicef, que fez uma pesquisa com 1.200 famílias em julho.

"No caso dos adultos, a proporção chega a quase uma a cada duas pessoas (45,6%)", acrescentou esta agência da ONU em um relatório publicado às vésperas do primeiro aniversário da tragédia.

O drama ocorrido em 4 de agosto de 2020 deixou mais de 200 mortos e pelo menos 6.500 feridos, além de devastar bairros inteiros da capital. Entre as vítimas, seis crianças perderam a vida, e mais de 1.000 ficaram feridas.

No ano passado, o Líbano também teve de enfrentar a pandemia da covid-19 e suas consequências, em meio a uma crise econômica sem precedentes, classificada pelo Banco Mundial como uma das piores do mundo desde 1850.

"Um ano depois dos trágicos acontecimentos, a vida das crianças continua sendo profundamente afetada", lamentou Yukie Mokuo, representante do Unicef no Líbano.

"Estas famílias têm dificuldade para se recuperar das consequências da explosão, ocorrida no pior momento possível: em meio a uma crise econômica devastadora e a uma grande pandemia", acrescentou.

Em julho, o Unicef já havia soado o alarme, observando que quase todas as famílias que pediram ajuda após a explosão continuam precisando de apoio, especialmente recursos financeiros e alimentos.

Segundo a agência da ONU, muitas das pessoas que perderam seus empregos por causa da explosão continuam desempregadas, enquanto o Líbano sofre um processo de pauperização em grande escala, com uma inflação galopante e todo tipo de escassez, devido à inércia das autoridades.

"A vida das crianças está em perigo, em um momento em que a crescente crise deixa a maioria das famílias incapazes de atender às suas necessidades básicas", advertiu Mokuo.

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