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1 mês

Israel reivindica primeiros ataques aéreos no Líbano em vários anos

05/08/2021 18h29

Jerusalém, 5 Ago 2021 (AFP) - Israel reivindicou nesta quinta-feira (5) os primeiros ataques aéreos no Líbano em vários anos, ao afirmar que alvejou locais de lançamento de foguetes após disparos procedentes do sul do país vizinho contra o norte do Estado hebreu.

"Aviões de combate do Exército tomaram como alvo locais de lançamento e infraestruturas, a partir das quais foram disparados foguetes no Líbano com o objetivo de aterrorizar", afirma um comunicado militar que não menciona o Hezbollah, o movimento armado libanês muito influente no sul do país vizinho.

A aviação israelense bombardeia de maneira regular supostas posições do movimento islamita palestino Hamas na Faixa de Gaza e também executa operações na vizinha Síria, onde ataca alvos de elementos pró-Irã.

Mas os últimos ataques aéreos anunciados no Líbano haviam acontecido em 2014, confirmou à AFP o Exército israelense, e se deram após uma troca de tiros na fronteira.

A agência oficial de notícias libanesa também relatou os ataques, mas não deu mais detalhes.

A última vez que Israel atacou o reduto do Hezbollah no sul do Líbano foi em 2006.

O presidente libanês, Michel Aoun, disse que "o uso por Israel de sua força aérea para atacar aldeias libanesas é o primeiro desse tipo desde 2006 e sugere uma intenção de intensificar os ataques" contra o Líbano.

Nesta quinta, o exército israelense não deu maiores detalhes sobre se visava atacar posições do Hezbollah ou de outros grupos.

De acordo com a rede de televisão libanesa Al-Manar, pró-Hezbollah, dois ataques aéreos israelenses ocorreram por volta da 00h40 (18h40 de quarta-feira no horário de Brasília), no setor de Mahmudiya, a cerca de dez quilômetros da fronteira entre os dois países.

O jornal libanês Al-Akhbar, pró-Hezbollah, acusou Israel de ter cruzado "a linha vermelha" com esses ataques que constituem um ato "perigoso" e violariam os compromissos vigentes desde a guerra de 2006 entre o Estado hebreu e o movimento xiita libanês.

Segundo o mesmo jornal, esses ataques israelenses atingiram uma área desabitada.

- Série de ataques -Na quarta-feira, três foguetes foram disparados do sul do Líbano para o norte de Israel: dois deles caíram em território israelense, e o terceiro não cruzou a fronteira.

Nenhum ferido foi reportado, mas quatro pessoas em estado de choque foram tratadas pelo Magen David Adom, o equivalente israelense da Cruz Vermelha, disse a organização.

Pouco depois desses tiros, o Exército israelense lançou três séries de ataques na direção do Líbano.

O ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, pediu que uma "mensagem forte" fosse enviada à FINUL, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano, posicionada no sul do país, na fronteira com Israel, segundo seu gabinete.

Presente no Líbano desde 1978, a UNIFIL monitora a fronteira israelense desde 2006 em coordenação com o Exército libanês e garante a implementação da resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, adotada após a guerra entre Israel e o Hezbollah.

Nesta quinta, o comandante da missão da ONU, general Stefano Del Col, celebrou uma reunião tripartite com as autoridades militares dos dois países nos locais da UNIFIL em Naqoura (sul do Líbano).

"Neste período de instabilidade regional, as partes têm que respeitar mais do que nunca o papel de coordenação e de comunicação da UNIFIL", declarou Del Col em um comunicado.

Washington, por sua vez, condenou os disparos contra Israel. "Condenamos os ataques com foguetes de grupos armados radicados no Líbano contra Israel. Destacamos que Israel tem o direito de se defender", declarou o porta-voz da diplomacia americana, Ned Price.

"Continuaremos acompanhando a situação", acrescentou, destacando o compromisso da administração americana com as autoridades israelenses e libanesas para "desbloquear a situação".

Essas trocas de tiros na fronteira coincidem com o ressurgimento das tensões entre o Estado hebreu e o Irã, após um ataque mortal ao petroleiro "Mercer Street". O navio é administrado pela companhia de um bilionário israelense, no Mar Arábico.

Apoiado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, Israel rapidamente acusou o Irã de estar ligado com o incidente, que deixou dois mortos, o que Teerã negou. Seu novo presidente, o ultraconservador Ebrahim Raisi, foi empossado esta semana.

Ainda assim, o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, disse ter "provas" do papel do Irã neste assunto e prometeu uma resposta israelense.

"Nós sabemos como enviar uma mensagem ao Irã do nosso próprio jeito", alertou ele no início desta semana.

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