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Incêndios florestais na Sibéria se agravam e fumaça já chega ao Polo Norte

Funcionário de proteção florestal tenta combater incêndios em um vilarejo na região de Yakutia, na Rússia - REUTERS/Roman Kutukov
Funcionário de proteção florestal tenta combater incêndios em um vilarejo na região de Yakutia, na Rússia Imagem: REUTERS/Roman Kutukov

09/08/2021 09h09

Os incêndios florestais que atingem a Sibéria se agravaram ainda mais nesta segunda-feira (9) - informaram autoridades russas, uma catástrofe de tamanha magnitude que sua fumaça já chegou ao Polo Norte, conforme a Nasa.

Os cientistas russos apontam que os incêndios atuais são consequência do aumento global das temperaturas.

Na região de Yakutia, uma área enorme e escassamente povoada no norte da Sibéria, a situação "continua piorando com uma tendência crescente no número e na área de incêndios florestais", anunciou a agência meteorológica russa, Rosguidromet, nesta segunda-feira, em seu site.

De acordo com este organismo, mais de 3,4 milhões de hectares de florestas foram queimados, mesmo em locais "de difícil acesso e remotos".

"Uma fumaça densa se espalha por toda vasta zona", ressaltou.

No sábado (7), em um comunicado, a agência espacial americana (Nasa) informou que a fumaça dos incêndios em Yakutia "percorreu mais de 3.000 km, chegando até o Polo Norte, o que parece ser o primeiro caso na história documentada".

A Nasa afirma que "a fumaça densa e acre emitida pelos incêndios florestais cobria em 6 de julho a maior parte da Rússia", fotografada por satélites.

Durante uma visita à Yakutia no final de julho, os bombeiros e as autoridades locais disseram à AFP que não tinham homens, equipamentos e outros recursos para lidar com a escala dos incêndios.

Usando respiradores artificiais para lutar contra o fogo e suportar a fumaça, a equipe perdeu a conta dos incêndios que combateu desde o final de maio. A maioria foi com sucesso, outros nem tanto, já que Yakutia sofre uma de suas piores temporadas de incêndios em anos.

Os ambientalistas questionam a política russa de extinção de incêndios florestais, incluindo um decreto do governo de 2015 que permite às autoridades locais ignorar os incêndios, se o custo de apagá-los exceder os danos estimados.

De acordo com Alexei Yaroshenko, especialista ambiental do Greenpeace Rússia, os incêndios já devastaram 14,96 milhões de hectares neste país desde 1º de janeiro. Trata-se do pior ano depois de 2012.

Nos últimos anos, muitas regiões da Rússia sofreram ondas de calor e de seca geradas pela mudança climática, atingindo recordes de temperatura.

Este é o terceiro ano consecutivo que Yakutia, a região mais fria da Rússia, às margens do Oceano Ártico, registra incêndios tão vorazes que sobrecarregam o Serviço Aéreo de Proteção Florestal.

É neste contexto que os especialistas em clima da ONU (do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, ou IPCC, na sigla em inglês) divulgam seu relatório, nesta segunda-feira. Nele, afirmam que a humanidade é, "indiscutivelmente", responsável pelas mudanças climáticas e não tem escolha a não ser reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, se quiser limitar os danos.

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