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1 mês

Rússia começa a votar em eleições legislativas com oposição distanciada

16/09/2021 20h05

Moscou, 16 Set 2021 (AFP) - A Rússia começou a votar nesta sexta-feira (tarde de quinta, 16, no Brasil) em eleições legislativas após a abertura das primeiras seções eleitorais no extremo leste russo e deu a largada a três dias de eleições das quais a oposição ficou distanciada.

"Vamos", disse a presidente da Comissão Eleitoral central, Ella Pamfilova, durante reunião desta instância, transmitida ao vivo por uma página do organismo na internet.

Como na Rússia há 11 fusos horários, as eleições começaram primeiro nas remotas regiões orientais de Kamtchatka e Chukotka, próximas ao Alasca, onde as seções abriram às 08h locais de sexta-feira (17h de quinta-feira em Brasília).

As eleições serão celebradas entre a sexta-feira e o domingo.

"Faremos tudo o possível para que o processo eleitoral ocorra de forma aberta e transparente", assegurou Inga Irinina, encarregada da comissão eleitoral em Petropavlovsk-Kamtchatski, capital da península de Kamtchatka, durante uma reunião por videoconferência em frente à Comissão eleitoral central.

Na capital, Moscou, a abertura das seções está prevista para as 02h de Brasília.

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu na véspera das eleições a seus concidadãos que mostrassem "patriotismo", em um vídeo postado na página do Kremlin durante a madrugada de quarta para quinta-feira.

"Conto com seu senso cidadão de responsabilidade, sensatez e de patriotismo", acrescentou em um chamado feito em um momento em que se encontra isolado, após a detecção de um foco de dezenas de casos de covid-19 em seu entorno, uma situação que ilustra as dificuldades da Rússia para conter a pandemia.

Seu porta-voz, Dmitri Peskov, disse que é possível que Putin use o sistema de votação eletrônico ao invés de ir às urnas devido à sua quarentena.

Entre a sexta-feira e o domingo, não só serão celebradas eleições legislativas, mas também regionais e municipais em uma dezena de territórios russos.

Os primeiros resultados estão previstos para ser anunciados após as 15h de domingo, horário de Brasília.

- Oposição distanciada -A maioria dos candidatos mais críticos a Putin não puderam se candidatar em uma eleição celebrada após meses de repressão contra a oposição.

Esta começou em janeiro com a detenção do opositor Alexei Navalny, preso após voltar da Rússia depois de ter sido tratado na Alemanha de um envenenamento, do qual o Kremlin é acusado.

Desde então, seu movimento foi proibido por ser considerado "extremista" e a maioria de seus aliados tiveram que partir para o exílio, foram detidos ou sua candidatura foi tornada ilegal.

O Comitê de Investigação russo informou na quinta-feira ter aberto um inquérito sobre onze pessoas, para as quais pedirá sua detenção, acusadas de incentivar no aplicativo de mensagens Telegram a realização de "confusões em massa" durante as eleições.

Cerca de 108 milhões de russos são convocados a votar para eleger 450 deputados da Câmara baixa do Parlamento.

Navalny instou os eleitores nesta quarta-feira a apoiar os candidatos do Partido Comunista, que costumam ser os representantes opositores mais bem posicionados para desbancar os da Rússia Unida, partido de Putin.

O Rússia Unida, que controla três quartos do Parlamento em fim de mandato e apoia sem contestar as políticas do Kremlin, obteria, segundo pesquisas, menos de 30% dos votos, o que reflete a impopularidade crescente do governo, salpicado por casos de corrupção e uma diminuição do nível de vida.

No entanto, esta formação é a grande favorita para vencer as legislativas, devido às dificuldades da oposição de se apresentar e ao fato de que os outros partidos, como os comunistas, nacionalistas e centristas, defendem ideias similares às do Kremlin.

Putin, no poder há mais de 20 anos, também se envolveu na campanha com o anúncio de uma ajuda financeira excepcional para 42 milhões de aposentados, um eleitorado-chave.

As autoridades russas também tacharam o "voto inteligente" para aqueles candidatos da oposição mais bem posicionados como uma opção "extremista" e fruto de ingerências ocidentais.

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