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1 mês

Congresso do Peru aprova lei para cremar corpo do fundador do Sendero Luminoso

17/09/2021 05h57

Lima, 17 Set 2021 (AFP) - O Congresso do Peru aprovou na quinta-feira à noite um projeto de lei permitiria cremar o corpo do falecido líder do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, que está no necrotério desde sábado à espera de uma decisão que o governo do presidente esquerdista Pedro Castillo evitou tomar.

A norma aprovada autoriza o sistema judicial, juízes e promotores a decidir o que fazer com o cadáver de um condenado por terrorismo que morre na prisão durante o cumprimento da sentença "em caso de possível dano à segurança e à ordem pública".

O projeto recebeu 70 votos a favor, 32 contrários e 14 abstenções no Congresso, mas ainda deve ser promulgado pelo Executivo.

Os votos contrários correspondem à bancada do governista Peru Livre, o pequeno partido marxista leninista que conquistou destaque depois de vencer, para surpresa geral, as eleições presidenciais com a candidatura de Castillo.

"Seria uma tolice se o presidente não assinasse", disse à imprensa o congressista de extrema-direita Jorge Montoya, um ex-almirante.

A votação do projeto de lei aconteceu depois que o chefe de gabinete de Castillo, Guido Bellido, pediu ao Congresso e ao Ministério Público que tomasse ações para definir o destino do corpo do preso mais famoso do país.

O governo de esquerda peruano argumentou desde o início que o MP e o Congresso deveriam decidir o que fazer com o cadáver.

O chefe do governo Guido Bellido negou à imprensa versões que afirmam que o gabinete ministerial votou na quarta-feira contra um projeto de lei do Executivo para cremar e jogar as cinzas de Guzmán no mar.

"O assunto não foi abordado", afirmou Bellido, que também é deputado pelo partido Peru Livre.

O governo de Castillo anunciou na terça-feira que apresentaria um projeto para cremar os restos mortais de Guzmán, mas o tema surpreendentemente saiu da agenda.

O corpo incomoda a esquerda pró-governo, cujos integrantes foram apontados pela oposição como "filosenderistas".

Segundo a EpicentroTv, um veículo online de jornalismo investigativo, "o Conselho de Ministros rejeitou por maioria uma proposta de decreto supremo" que o Ministério da Justiça preparou para a cremação de Guzmán.

O corpo de Guzmán, que morreu aos 86 86 anos, está em um necrotério do porto de Callao desde sábado, quando morreu de "pneumonia bilateral" no presídio de segurança máxima da base naval da cidade, vizinha de Lima, onde cumpria pena de prisão perpétua desde 1992.

Elena Yparraguirre, viúva e número dois da organização maoísta, havia enviado no sábado da prisão feminina de Chorrillos, onde também cumpre prisão perpétua, uma carta de seu advogado pedindo à promotoria que entregasse o corpo a uma terceira pessoa.

A recusa do MP quarta-feira em entregar o corpo para sua viúva e mantê-lo sob custódia até que a investigação sobre sua morte fosse concluída pareceu abrir as portas para uma saída.

Desde a morte de Guzmán, congressistas de direita pediram para ver o corpo devido a suspeitas de alguns que consideram que o presidente Castillo e membros de seu governo simpatizam com o Sendero Luminoso, algo que o presidente nega categoricamente.

A indefinição acirrou os ânimos e ameçava provocar uma crise política para o governo.

A Procuradoria de Callao aguarda o resultado dos testes de DNA entre quinta e sexta-feira, para eventualmente encerrar o processo.

Abimael Guzmán passou seus últimos 29 anos condenado como o responsável intelectual por um dos conflitos mais sangrentos da América Latina, com 70 mil mortes, segundo a Comissão de Verdade e Reconciliação.

O Sendero Luminoso iniciou uma "guerra popular" marcada por sangrentas ações terroristas entre 1980 e 2000.

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