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Homem é condenado por retratar Macron como Hitler em outdoor e gera debate

O cartaz foi exibido este ano em dois outdoors localizados na estrada próximo à entrada de Toulon e critica Macron pela vacinação obrigatória na França - Arquivo pessoal/RFI
O cartaz foi exibido este ano em dois outdoors localizados na estrada próximo à entrada de Toulon e critica Macron pela vacinação obrigatória na França Imagem: Arquivo pessoal/RFI

17/09/2021 10h42

A Justiça francesa condenou um ex-publicitário, nesta sexta-feira (17), a pagar uma multa de 10.000 euros (11.780 dólares) por comparar o presidente Emmanuel Macron com o líder nazista Adolf Hitler e com o colaboracionista Philippe Pétain em pôsteres de propaganda.

Michel-Ange Flori, de 62 anos, foi condenado por "injúria pública" contra o presidente francês, que denunciou a publicação de dois cartazes com sua imagem modificada em La Seyne-sur-Mer (sudeste) e na vizinha Toulon.

Apesar de o condenado, que apelará da decisão, ter defendido seu "direito ao humor", o tribunal atendeu ao pedido do procurador Laurent Robert, que denunciou "evidente vontade de produzir dano".

Publicado em 19 de julho, dias antes do anúncio do lançamento por parte do governo de um passe sanitário, o primeiro cartaz mostra Macron retratado como Hitler, com um pequeno bigode e um uniforme nazista, junto com o slogan: "Obedeça, vacine-se".

Um mês depois e apesar de já ter sido aberta uma investigação sobre a primeira imagem, Michel-Angel Flori publicou uma segunda. Nela, o presidente aparece com o marechal Pétain, chefe de Estado conhecido por colaborar com os nazistas. No fundo, há um código QR.

"O direito à caricatura foi atacado", disse o advogado de Flori, Bérenger Tourné, para quem "o presidente, sempre disposto a defender a liberdade de expressão (...), considera que ela para em sua pessoa augusta".

Embora o crime de "ofensa ao presidente da República" tenha sido abolido em 2013, após uma decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEHD), o chefe de Estado está protegido contra injúrias e difamação pública como qualquer cidadão.

No tribunal, o advogado de defesa disse que Flori era "talvez irreverente", mas inocente, já que abordava "um debate polêmico e político".

"Alguns escrevem nas paredes, eu faço cartazes", afirmou o ex-publicitário, para quem essa forma de expressão é "a mais antiga do mundo".

O empresário, que possuía 600 painéis publicitários, manteve dois para seu uso pessoal e tem várias condenações por violência contra funcionários públicos e roubo.

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